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Diretor de Marketing da Ourofino Agrociência fala sobre as perspectivas para o mercado de defensivos

Postado em 3 de Novembro de 2020

Leonardo Campos Araújo – Diretor de Marketing, P&D e PDI da Ourofino Agrociência. Engenheiro Agrônomo, cursou MBA em Gestão Empresarial pela FGV, possui extensão na Universidade da Califórnia (EUA) e especialização em Marketing pela ESPM. Com vasta experiência no mercado de defensivos agrícolas, já passou pelas empresas Ilhara e Nortox.

A Ourofino Agrociência completou 10 anos de atuação no mercado de defensivos em 2020. Ao longo desse período, quais foram as principais conquistas e os maiores desafios passados pela companhia? Após esses aprendizados, como a Ourofino se projeta para daqui 10 anos?
Completamos a nossa primeira década de existência no mercado de defensivos agrícolas e, nesse período, empenho e dedicação foram fundamentais para que o trabalho viesse acompanhado de sucesso, realizações e conquistas.

Temos uma das mais modernas fábricas de defensivos agrícolas; um portfólio robusto e que crescerá ainda mais em pouquíssimo tempo; uma linha de produtos reimaginados, ou seja, alinhados ao nosso propósito, que é o de reimaginar a agricultura brasileira e oferecer soluções adaptadas à realidade do país; investimos fortemente em pesquisa e desenvolvimento; construímos uma parceria com dois grandes grupos japoneses, Mitsui e ISK, e, por fim, ultrapassamos o faturamento de R$1,3 bilhão em um único ano fiscal. Tudo isso com sustentabilidade, governança e responsabilidade.
O crescimento obtido em apenas 10 anos aumenta a nossa responsabilidade para a próxima década, pois sabemos que os desafios serão ainda maiores daqui para frente. Mas com simplicidade, agilidade e um time que conhece como poucos as particularidades da agricultura brasileira, seguiremos trabalhando em prol do desenvolvimento do setor.

No 1º semestre de 2020, o COVID-19 impactou em uma ampla crise no abastecimento mundial, o que também afetou o mercado de defensivos. Como foi o impacto mundial no fornecimento de defensivos durante esse período? Como está a situação atual e como deve ser até o final do ano?
Nós registramos alguns atrasos na entrega de mercadorias no início da pandemia, em março e abril, mas depois tudo se normalizou. Como não há problemas de produção na China (de onde vem 95% da matéria-prima que importamos), não está faltando produto. Estamos bastante atentos a outras ondas da doença e, caso aconteça nas áreas em que existem as fábricas, não temos certeza de como nosso mercado será afetado. A Índia, que também é importante na produção de insumos, sofreu com enchentes recentemente e mantemos um monitoramento constante do cenário. Enfim, hoje podemos afirmar que não temos problemas com o nosso fornecimento. O agronegócio é um setor muito privilegiado e não parou por ser da cadeia essencial de alimentação. A situação, por isso e por não termos problemas com insumos, segue controlada.

Muitos investimentos em novos produtos e aumento de capacidade produtiva estão ocorrendo no mundo, mostrando um cenário de otimismo por parte das empresas internacionais. Neste sentido, para o mercado de defensivos, qual é a visão da Ourofino para os próximos anos? Deverá haver mais investimentos no mercado brasileiro por parte da empresa?
Os investimentos para o desenvolvimento da empresa são constantes e não podem parar. Claro, a cada ano surgem variáveis que impactam o negócio e ajustamos as rotas para seguir crescendo de forma sustentável. Nosso olhar para pesquisa e desenvolvimento, e também para produtos e serviços que contribuam de forma efetiva ao agricultor, ganhará ainda mais força, sem dúvida.
Falando em crescimento, já para o próximo ano pretendemos aumentar o uso da capacidade instalada em nossa fábrica, localizada em Uberaba (MG), que é de 120 milhões de quilos/litros por ano. O objetivo é atingir até 70% desse total, ante cerca de 60% utilizado no ano fiscal anterior.

Com a entrada dos novos produtos pela Ourofino Agrociência, dentre eles o Kaivana, o mercado deverá se tornar cada mais competitivo. A Ourofino deve apresentar mais soluções para o mercado nacional, em abastecimento de produtos e tecnologia no próximo ano?
A tecnologia é o carro-chefe do grande avanço da agricultura. Além da previsão de diversos produtos já no próximo ano, lançamos recentemente o Segnus, programa de excelência em tecnologia de aplicação que tem como objetivo levar sustentabilidade de forma ainda mais ampla para o campo. Por meio do sistema da Perfect Flight, que atua para trazer métricas e assertividade para o monitoramento da atividade de pulverização aérea agrícola, é possível cadastrar áreas de culturas vizinhas, preservação permanente (APPs), colmeias e outros sistemas de organismos vivos, tendo como um dos pontos fundamentais a preservação ambiental. Essa é a primeira etapa do programa, que logo terá novidades para apresentarmos ao mercado.

Investimos também no desenvolvimento de um aplicativo que unificará diversas funcionalidades, com o objetivo de conectar diferentes elos da cadeia agro. Em um sistema com quatro módulos diferentes, voltados para os consultores técnicos comerciais, produtores, distribuidores e para a nossa equipe, pretendemos proporcionar ao mercado como um todo, e não só para os clientes, um espaço no qual se troca informações, aprende por meio de cursos e capacitações, gerencia a equipe e as metas do grupo ou individuais, entre diversas outras funcionalidades.

Outra iniciativa em desenvolvimento é o programa Focus 360º | Reimaginando o Manejo de Resistência. Criado por uma equipe interna de especialistas em parceria com pesquisadores de universidades e institutos, o programa tem por funcionalidade orientar quanto ao manejo de plantas daninhas resistentes a herbicidas nas culturas de soja, algodão e milho.

Com o aumento da área plantada de grãos e a estagnação na área plantada de cana-de-açúcar, qual é a expectativa da Ourofino Agrociência para a demanda defensivos na safra 2021/22? Como a ocorrência do La Niña pode impactar neste cenário?
Existem dois pontos de atenção pensando na safra 2020/21. O primeiro é que o aumento da adoção de tecnologia, em ambos os segmentos, seguirá e isso nos deixa otimistas. É um caminho sem volta e que contribui para o desenvolvimento do agronegócio. Por outro lado, existe o fator clima e por isso mantemos o monitoramento sobre possíveis efeitos do La Niña, que pode causar seca em determinadas regiões e excesso de chuva em outras.

A Ourofino apresenta uma ampla participação no mercado de cana-de-açúcar brasileiro. Atualmente, além da cana-de-açúcar, quais culturas fazem parte da estratégia principal da empresa? Há a expectativa de fortalecer o portfólio em outras culturas?
Devemos ter uma alta significativa no número de produtos no curto prazo, o que contribuirá para o aumento de 9,7% para 11% de market share em cana-de-açúcar, por exemplo, além da diversificação de soluções para cereais. Contamos com herbicidas, inseticidas e fungicidas, além de novos produtos que estão por sair, com foco nos principais alvos que impactam a produtividade nas lavouras, como a ferrugem asiática – um grande problema dos produtores. Com essas novidades, o nosso foco passa a ser, além de cana, soja, milho e algodão, café e citros.

O mercado nacional de defensivos ainda é muito dependente de produtos de importação e, isso acaba sofrendo com as variações da taxa de câmbio no preço final do defensivo. Quais estão sendo as saídas encontradas pela Ourofino ou, até mesmo o produtor rural, para evitar impactos maiores na compra dos produtos? Como as cooperativas e distribuidoras estão atuando sobre isso neste ano?
Sem dúvida este é um ano em que o mercado tem trabalhado para minimizar os efeitos cambiais. Na Ourofino, acompanhamos esse cenário e buscamos as soluções necessárias para manter a sustentabilidade da indústria. Em culturas como a cana-de-açúcar, por exemplo, fazemos as vendas em dólar. Já pensando no produtor, vemos que ele tem compensado a desvalorização do real com a alta nos preços das commodities, favorecendo culturas como soja e café.

 


Fonte: Equipe GlobalCropProtection (26/10)