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Distribuidoras avançam em hedge de etanol

Postado em 22 de Outubro de 2020

As distribuidoras estão ampliando suas operações de hedge de preços de combustíveis neste ano diante da forte volatilidade provocada pela pandemia da covid-19. Já há procura de distribuidoras por contratos futuros de etanol na B3 e por operações com petróleo e gasolina no mercado internacional, que desde 2017 têm mais correlação com o biocombustível.

A consultoria StoneX estima que a procura das distribuidoras por esse tipo de proteção com combustíveis em geral cresceu 20% em volume neste ano entre as empresas de maior porte e 80% entre as menores, afirma o analista Fábio Rezende. Apenas em diesel, gasolina e querosene de aviação, a consultoria estima um volume hedgeado neste ano de 25 bilhões de litros.

Na B3, as negociações de contratos futuros de etanol hidratado (que não têm liquidação física, apenas financeira) ainda é feito majoritariamente pelas usinas, mas a consultoria já vê a entrada de distribuidoras nas negociações.

Desde o início do ano até o fim de setembro, foram fechados 43.595 contratos futuros de etanol na bolsa, mais que o dobro do total registrado no mesmo período de 2019. Essa quantidade equivale a 1,3 bilhão de litros de etanol, ou cerca de 6% da produção mensal no Centro-Sul.

As distribuidoras também estão aumentando sua procura por hedge de gasolina e diesel. Segundo Rezende, as distribuidoras não buscavam proteção porque entendiam que havia um “hedge natural” em seu modelo de negócios. Porém, a volatilidade dos preços após a debacle do petróleo, em março, e o desaparecimento da demanda com a pandemia, afetaram o valor dos produtos que elas tinham em estoque na época e levou muitas a realizarem baixas contábeis relevantes.

“Elas compram um grande volume e vendem aos poucos, e correm o risco de ter uma perda contábil com estoques se a Petrobras faz algum reajuste. Então temos feito hedge desses estoques”, diz.

No caso do etanol, também há riscos, contra os quais as distribuidoras começam a buscar proteção até no mercado internacional de gasolina. “Elas tomam uma posição vendida e, se o preço cai, elas ganham com a posição financeira.”

Rezende acredita que o choque de preços observado no início da pandemia não deve se repetir, mesmo com a segunda onda de casos de coronavírus na Europa e com um eventual aumento do número de casos também no Brasil. Porém, ele acredita que a retomada do consumo será lenta, com impactos de mudanças mais perenes no comportamento dos consumidores.

O mercado de petróleo vem espelhando esse ritmo lento, com níveis de demanda globais 7% abaixo de um ano atrás. No próximo mês, a Opep+ avaliará se reduz ou não os cortes de produção.

A StoneX estima que os preços de petróleo devem permanecer entre US$ 40 e US$ 45 o barril no médio prazo – ontem, o Brent fechou em US$ 41,73 o barril, patamar em que vem se mantendo no último mês.

 


Fonte: Valor Econômico