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Do Texas para o mundo: vem aí uma enxurrada de petróleo dos EUA

O trader de petróleo Paul Vega está na vanguarda da próxima revolução do xisto.

Dirigindo sua picape pelo coração da bacia do Permiano -- a vasta região de vegetação rasteira no oeste do Texas onde um dos maiores booms do petróleo da história gera quilômetros de engarrafamentos --, Vega conta que há mais petróleo sendo bombeado do que as refinarias americanas conseguem absorver. Hoje a tarefa primordial de tradings como a dele é exportar.

"Nós compramos, transportamos, colocamos em um oleoduto e assim levamos ao porto -- e de lá para o mundo", disse Vega, que dirige o escritório da trading global de commodities Trafigura Group, em Midland, nos EUA, polo do setor de petróleo da região.

O que começou como um fenômeno americano está sendo sentido em todo o mundo agora que as exportações de petróleo dos EUA estão subindo a níveis inimagináveis há apenas alguns anos. O fluxo de petróleo continuará crescendo nos próximos anos com enormes reflexos no setor de petróleo, na política global e até mesmo em economias inteiras. A Opep, por exemplo, terá dificuldades para manter os preços do petróleo elevados e Washington ganhou uma nova e poderosa arma diplomática.

As exportações de petróleo dos EUA aceleraram no ano passado, subindo mais de 70 por cento, para pouco mais de 2 milhões de barris por dia, segundo dados do governo. Nas últimas quatro semanas, as exportações de petróleo dos EUA registraram média de mais de 3 milhões de barris por dia -- mais do que vende o Kuwait, um petroestado do Oriente Médio.

"Esta é a nova era da energia americana", disse Rick Perry, secretário de Energia dos EUA, em conferência do setor, em Houston, nos EUA, neste mês.

Traders de petróleo e executivos do setor de xisto acreditam que as exportações de petróleo dos EUA deverão atingir 5 milhões de barris por dia até o fim de 2020, 70 por cento acima dos níveis atuais. Se os EUA atingirem essa meta, exportarão, em uma base bruta, mais petróleo bruto do que qualquer país da Opep, com exceção da Arábia Saudita. (Os EUA continuam sendo importadores líquidos, mas é provável que essa situação mude nos próximos meses).

"A segunda onda da revolução do xisto dos EUA está chegando", disse Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia. "Isso vai abalar os fluxos internacionais de comércio de petróleo e gás, com profundas implicações geopolíticas."

O impacto político já está sendo sentido. O governo Trump conseguiu impor sanções agressivas às exportações de petróleo do Irã e da Venezuela sabendo que o fluxo de petróleo do Texas continuará aumentando. O impacto econômico nos EUA também é evidente: em dólares, o déficit comercial do petróleo do país atingiu o menor patamar em 20 anos em 2018.

Os EUA já são grandes exportadores de produtos refinados como gasolina e diesel. Combinando esses produtos com as crescentes exportações de petróleo, segundo projeção da AIE, as exportações americanas de petróleo atingirão cerca de 9 milhões de barris por dia em cinco anos, contra apenas 1 milhão em 2012. Neste processo, os EUA se tornarão o segundo maior exportador mundial de petróleo bruto e produtos refinados até 2024, ultrapassando a Rússia e quase alcançando a Arábia Saudita.

 

 

 


Fonte: Bloomberg