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É preciso rever as políticas fiscais para combustíveis fósseis, defende Rabia Ferroukhi

Postado em 27 de Maio de 2020

A crise mundial provocada pela pandemia de covid-19 torna mais urgente a revisão de políticas fiscais aplicáveis aos combustíveis fósseis, defende Rabia Ferroukhi, diretora da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena).

“Não podemos voltar aos negócios como antes, a maneira como produzimos, consumimos e distribuímos”, afirmou durante webinar do Instituto Emais Transição Energética.

A Irena conclui um relatório alertando que é preciso reduzir, anualmente, em 3,8% a geração de energias relacionadas com emissão de C02, até 2050 para garantir o controle da temperatura global, com um crescimento abaixo de 2º C, como prevê o Acordo de Paris.

Segundo Rabia Ferroukhi, apesar do relatório vir em um momento de muitas incertezas e perdas causadas pela pandemia da covid-19, o estudo mostra a importância da reconstrução da economia mundial a partir de investimentos verdes.

“O que estamos experimentando agora é só uma prova do que nos espera em termos de um crise de mudança climática”, alerta.

Brasil pode criar 1,8 milhão de empregos novos em 30 anos com investimentos em renováveis – veja a apresentação completa (.pdf) da Irena

Emprego e bem-estar social

A diretora defendeu que a transição energética, além da tecnologia, deve estar acompanhada de valores econômicos e sociais para que de fato haja benefícios nesta transição.

De acordo com o estudo, até 2050 a energia renovável tem potencial para injetar US$ 98 trilhões na economia mundial, podendo aumentar o PIB da América Latina em 2,4% a mais se comparado a um cenário sem investimentos adicionais em renováveis.

No mesmo período, podem ser criados 42 milhões de postos de trabalho, sendo a energia solar a maior empregadora. Os números superarão as perdas de emprego na energia fóssil e nuclear, estima a Irena.

Já na América Latina, a bioenergia será a principal responsável na geração de novos postos de trabalho. No Brasil, 60% dos empregos relacionados à energia limpa serão oriundos do segmento bioenergético, nesse cenário.

A qualidade de vida também será impactada. Indicadores mostram que transição energética permitirá uma melhora de 13,5% no bem-estar global em 2050, se comparado a um cenário com energia não-renovável. Na América Latina, essa melhora será de 14,8%. O resultado será impulsionado, principalmente, pelos benefícios na saúde humana relacionados com a redução de emissões.

“Governos devem pensar seus pacotes por meio de um acordo verde que caminhe em direção a uma economia mais sustentável e resiliente. Políticas adequadas de energia renovável vão ter um papel importante na recuperação econômica, garantindo a sustentabilidade e a criação de empregos”, conclui Ferroukhi.


Fonte: Epbr