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Em 2019, 40% dos canaviais colhidos na região Centro-Sul eram de variedades antigas

Postado em 3 de Abril de 2020

Estimativas apontam que apenas com a adoção de materiais modernos já disponíveis no mercado, o setor poderia elevar a produção de açúcar em 25%

A RB867515 reinou soberana nos canaviais do Centro-Sul do país desde seu lançamento comercial, em 1997. O sucesso do material ocorreu principalmente em função de sua rusticidade, que lhe permitia se desenvolver em condições não muito favoráveis. Era justamente o que a agroindústria canavieira necessitava para impulsionar sua grande expansão, uma vez que a abertura das novas fronteiras se deu em regiões de solos fracos, onde as variedades disponíveis na época deixavam a desejar. 23 anos depois, o material ainda ocupa grande parte das áreas cultivadas na região. Mas não com a mesma força de antes. Já demonstra sinais de fadiga, indicando que deve sair de cena num futuro próximo.

É inegável o fato de que a 7515 foi preponderante para alavancar a produção do segmento nas duas últimas décadas. No entanto, é importante observar que seu desenvolvimento se deu há mais de 30 anos – a primeira semeadura ocorreu na longínqua década de 1980 -, quando o modelo produtivo no setor diferia bastante do atual.

Mesmo 23 anos após seu lançamento comercial, 7515 ainda ocupa grande parte das áreas cultivadas no Centro-Sul

A partir do momento em que as primeiras máquinas começaram a ganhar os canaviais, em meados dos anos 2000, os institutos de melhoramento genético brasileiros passaram a focar seus trabalhos no sentido de liberar materiais adaptados a essa nova era. Alto perfilhamento, porte ereto e boa brotação são algumas das características agronômicas das novas variedades que elevam a eficiência das operações mecanizadas. A 7515, como diversas outras lançadas antes dessa época, não possui tais atributos, fazendo com que seu uso nos dias atuais não seja mais tão interessante.

Diversos players do setor já aceitaram essa realidade e estão apostando suas fichas nas novas liberações. Na região paulista de Ribeirão Preto, por exemplo, a 7515 nem ao menos aparece na intenção de plantio do ciclo 2020/21. Nos 75 mil hectares levantados pelo Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), a variedade que deverá ser campeã de plantio neste ano é a CTC9001, com 14,9% de participação. Em seguida, figuram a CTC4 (11,7%) e a RB966928 (10,3%).

Na região paulista de Ribeirão Preto, 7515 nem ao menos aparece na intenção de plantio do ciclo 2020/21

Por outro lado, existem também aqueles produtores e usinas que preferem permanecer na zona de conforto. No Mato Grosso, 25,7% da área de plantio desta safra deverá ser coberta com a 7515. Situação semelhante ocorre no Paraná, onde ela ocupará 23% dos novos canaviais.

Dados como esses indicam claramente que parte do setor canavieiro nacional vem tentando atualizar seu plantel varietal, substituindo as variedades tradicionais por materiais modernos, mais produtivos e com características agronômicas condizentes com a realidade atual dos canaviais. O ritmo é que pode estar aquém do ideal. Na contramão, muitos parecem estar ainda arraigados em antigos costumes. Para estes, talvez seja a hora de exercitar a arte do desapego.


Fonte: CanaOnline