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Em assembleia geral, entidade que representa setor sucroenergético de MS reelege diretoria para triênio 2019-2022

Foram reconduzidos Amaury Pekelman como presidente do Conselho Deliberativo e Roberto Hollanda Filho como presidente Executivo da Biosul.

Em assembleia geral, a Associação dos Produtores de Bioenergia (Biosul), entidade que representa o setor sucroenergético em Mato Grosso do Sul, realizou eleições para definir o comando da entidade para o Triênio 2019-2022. No Conselho Deliberativo, estrutura que representa o conjunto das empresas associadas foi mantido como presidente Amaury Pekelman, vice-presidente de Relações Institucionais da Atvos.

Já Roberto Hollanda Filho, presidente Executivo da entidade desde sua criação há dez anos, foi reeleito. A eleição teve chapa única, com os candidatos eleitos por aclamação.

A aposta dos associados na manutenção da linha de gestão se dá num momento importante para o setor, em Mato Grosso do Sul e no Brasil. O setor vem do enfrentamento a uma das maiores crises de sua história e, por outro lado, vê surgir uma oportunidade de retomada de crescimento com o RenovaBio, programa do Governo Federal que prevê a expansão do uso dos biocombustíveis no Brasil.

"O reconhecimento dos demais associados gratifica e motiva ao mesmo tempo", afirma Pekelman, completando que o momento agora é para apoiar a entidade no que deverá ser um novo ciclo positivo para o setor e para o estado.

"A Biosul nasceu em uma situação de ruptura, em que o estado deixava de ser pequeno para se tornar um grande produtor no cenário nacional de açúcar, etanol e bioeletricidade”, lembra Hollanda, ressaltando que o momento atual do setor é parecido. "Vamos sair da crise e nos preparar para ajudar a gerar ambiente para um novo ciclo de crescimento”, complementa.

Um dos maiores produtores do país
Mato Grosso do Sul encerrou a safra 2018/2019 como terceiro maior produtor brasileiro de etanol, ficando atrás somente de São Paulo e Goiás. O volume frente ao ciclo anterior saltou de 2,63 bilhões de litros para 3,27 bilhões de litros, conforme a Biosul.

Com o volume de produção atingido neste ciclo, se fosse um país, Mato Grosso do Sul, conforme dados da Associação dos Produtores Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos, a RFA - Renewable Fuels Association, de 2018, seria o quinto maior produtor mundial de etanol. Apenas os Estados Unidos (com 60,79 bilhões de litros), o Brasil (com 29,98 bilhões de litros), a União Europeia (5,41 bilhões de litros) e a China (3,97 bilhões de litros) fabricariam uma quantidade maior do biocombustível.

Mato Grosso do Sul, de acordo com as informações da RFA, produziu nesta temporada um volume maior de etanol do que países como o Canadá, a Tailândia, a Índia e a Argentina.

Do etanol processado no estado 76%, o equivalente a 2,40 bilhões de litros foram do tipo hidratado, que é vendido nas bombas dos postos de combustíveis, enquanto que outros 24%, foram do anidro, que é misturado na proporção de 27,5% a gasolina.

Do etanol “Made in MS”, 90% é vendido para outros estados, como São Paulo, Paraná e Minas Gerais, e o restante é comercializado em âmbito local. No mercado sul-mato-grossense, o biocombustível tem uma fatia de 16% nas vendas de combustíveis para veículos do chamado ciclo otto, que são aqueles que utilizam etanol ou gasolina.

Na safra passada, das 19 usinas em operação em Mato Grosso do Sul, 10 produziram açúcar, conforme a Biosul. Todas processaram o produto bruto, chamado VHP, 3 produziram o cristal e 2 o refinado. O volume processado chegou a 947 mil toneladas, 36,5% menor que as 1,492 milhão de toneladas do ciclo anterior. Mesmo com a queda, o estado fechou o ciclo como o quinto maior produtor brasileiro.

Do açúcar processado no estado, 74% são do tipo VHP, 24% do cristal e 2% do refinado. Do volume fabricado, 76% é destinado a outros estados e países e somente 24% ficam no mercado interno. Em 2018, o estado exportou 615 mil toneladas de açúcar, 55% a menos que 2017. A receita alcançada com o alimento no ano passado chegou a US$ 177,5 milhões, 65% abaixo do ano anterior, o que representou 3,1% de participação no ranking de exportações de Mato Grosso do Sul.

Terceiro produto no setor
Além do etanol e do açúcar, outro produto ganha espaço no setor, a bioeletricidade. Todas as unidades em operação no estado cogeraram, utilizando o bagaço que sobra do processamento do biocombustível e do alimento para produzir sua própria eletricidade. Um grupo de 12, além do consumo próprio disponibilizou energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Foram exportados 2.568 GWh em 2018, o que representou um crescimento de 3,5% em relação a safra passada. Essa quantidade é bem maior do que todo o consumo residencial do estado, que em 2017 ficou em torno dos 1.792 GWh. Na média, Mato Grosso do Sul é o maior exportador de bioeletricidade por tonelada de cana moída.

Matéria-prima
Conforme a Biosul, o estado terminou a safra 2018/2019 como o quarto maior produtor de cana-de-açúcar do país. O volume chegou a 49,5 milhões de toneladas, recorde na história do estado, o que representou um incremento de 5,4% frente as 46,9 milhões de toneladas da temporada 2017/2018. Esse volume foi atingindo com a colheita de 648,8 mil hectares. A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) - indicador que reflete a qualidade da cana, atingiu os 132,2 quilos por hectare, um discreto aumento de 2,74% em relação ao rendimento do ciclo anterior.

 


Fonte: Portal G1