Clipping

Em sua primeira edição, Inovacana reuniu inovações tecnológicas que contribuem para o desenvolvimento do setor sucroenergético nacional

A primeira edição do INOVACANA – Exposição de novidades tecnológicas para ganhos de produtividade e redução de custos - foi um verdadeiro showroom para os profissionais do setor sucroenergético nacional, que puderam conhecer o que há de mais avançado no segmento canavieiro nas mais diversas áreas. O evento, realizado no Centro de Convenções de Ribeirão Preto/SP, reuniu cerca de 350 pessoas, entre produtores de cana, profissionais de usinas, pesquisadores, consultores e executivos de empresas ligadas ao segmento.
 
Em meio a palestras sobre inovação no campo, que abordaram temas práticos sobre como preparar a empresa e seus funcionários para receber uma inovação; e cases de sucesso, que mostraram o que realmente está dando certo para o setor; o evento ainda contou com o Prêmio INOVACANA, que visou incentivar o desenvolvimento de inovações tecnológicas para o segmento sucroenergético. O Prêmio contou com o apoio da AgTech Garage, SP Ventures e BASF e foi uma excelente oportunidade para diversas startups apresentarem seus projetos para o público canavieiro.
 
Segundo o diretor do Grupo IDEA e idealizador do evento, Dib Nunes Jr., o setor canavieiro nacional teve sua capacidade produtiva e seus investimentos drasticamente reduzidos em função da crise iniciada em 2008 e que ainda possui reflexos aparentes nos dias atuais.
 
Entretanto, ele afirmou que são exatamente em tempos de crise que surgem as grandes soluções e os maiores avanços tecnológicos, que acabam produzindo grandes mudanças nos processos produtivos. “Podemos estar em crise, mas não perdemos nossa criatividade, pois muitas inovações surgiram no mercado ao longo dos últimos anos, visando reduzir custos e melhorar a competitividade.”
 
Com isso em mente, o Grupo IDEA conduziu diversas pesquisas em todo o setor a fim de descobrir os principais avanços que, de fato, se tornaram realidade tecnológica e que passaram a ser incorporados e utilizados em escala comercial.
 
“Essa busca por novidades deu origem ao INOVACANA, um evento diferenciado que foi um divisor de águas para o segmento. Tenho certeza de que todas as tecnologias apresentadas serão incorporadas ao processo produtivo e certamente irão contribuir para o ganho de competividade e para a melhoria dos resultados dos produtores e usinas.”
 
Por fim, Dib afirmou que ainda existem muitas tecnologias em desenvolvimento no setor e que espera que as próximas edições do INOVACANA sejam “tão ricas de novidades quanto a primeira”.
 
Grandes grupos canavieiros e importantes centros de pesquisa apresentaram suas inovações tecnológicas para a produção canavieira no INOVACANA
 
Gigantes do setor canavieiro nacional participaram da primeira edição do INOVACANA apresentando tecnologias inovadoras que realmente deram certo em suas unidades. Um deles foi a Usina São Martinho, conhecida mundialmente como a maior produtora de cana do planeta. Na ocasião, o gestor de inovação da Unidade, Walter Maccheroni, apresentou algumas práticas adotadas na área agrícola da usina que permitiram um expressivo aumento de produtividade, como a utilização do biogás da vinhaça em diferentes operações, adoção do sistema de colheita mecanizada de duas linhas e a criação de uma “operadora de celular” no campo para digitalização de suas fazendas.
 
O Grupo Colombo também teve seu espaço no evento, apresentando uma técnica que permite um plantio semi-mecanizado de Meiosi (método inter-rotacional ocorrendo simultaneamente) utilizando uma colhedora de cana inteira que estava parada no pátio da usina. Trata-se da colhedora Cameco S30B, fabricada em 1997. O gerente agrícola do Grupo Colombo, unidade Ariranha, José Luiz Menossi, afirma que a reativação da máquina foi um sucesso. “Está é uma colhedora de baixo consumo, com um corte perfeito e com a possibilidade de jogar cana da terceira para a quarta rua.”
 
Um seminário sobre inovações tecnológicas deve contar também com sistemas computadorizados extremamente avançados que permitem melhor gestão dos processos. Este foi o case da Usina São Manuel, que mostrou o Solo System, sistema que tem cuidado de todos os processos de aplicação em taxa fixa e variável da Empresa. Segundo o engenheiro agronômico de planejamento e controle da Usina, Guilherme Guine Ferreira, a plataforma auxilia no planejamento da amostragem de solo, como, por exemplo, na seleção das áreas a serem amostradas no dia, bem como na roteirização do trajeto do campo. “Além disso, ele faz uma cerca eletrônica ao redor do ponto de coleta, que traz uma confiabilidade no processo como um todo.” Posteriormente, todas as amostras são identificadas com código de barra, o que garante a rastreabilidade dos dados na fase de campo, laboratório e escritório.
 
Já a Agrícola Campanelli, uma das empresas agrícolas mais tecnificadas do mundo, com médias de produtividade que ultrapassam as 100 t/ha, falou sobre a implantação de um pacote de tecnologias que resultaram em melhor produtividade em suas lavouras. Mas o que faz parte desse pacote? O diretor da empresa, Victor Campanelli, salienta que não há segredo, a saída é investir pesado em capacitação, em tecnologia inovadoras, buscar novos conhecimentos, equipamentos de qualidade, adotar sistemas que otimizam o resultado, como taxa variável e piloto automático, trabalhar com equipamentos próprios para a colheita, evitando adaptações. “Nunca temos preguiça de investir. Investimento para a gente é palavra que não temos medo. Não temos medo de mudança, e não temos medo de investir num negócio que acreditamos.”
 
Mas não foram apenas grandes usinas que puderam apresentar suas inovações. Importantes centros de pesquisa também tiveram seu espaço no INOVACANA. O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) teve duas palestras ao longo do evento: uma abordando um sistema de trituração de palha montada em uma colhedora de cana e outra falando sobre sensores de solo e planta para melhorar a adubação em lavouras canavieiras.
 
Exposição de tecnologias de ponta para os profissionais canavieiros
 
Diversas empresas aproveitaram a primeira edição do INOVACANA para apresentar ao setor canavieiro suas mais recentes inovações tecnológicas. A IBM Brasil abriu os trabalhos anunciando o desenvolvimento da IBM AgriTech – uma plataforma aberta, neutra e agnóstica que em parceria com empresas tradicionais do agronegócio e com companhias emergentes do setor de tecnologia agrícola brasileiro, consolida dados, tecnologias e soluções capazes de resolver as demandas deste mercado.
 
Em seguida, a Herbicat apresentou seu caminhão aplicador de herbicida. Segundo o diretor da empresa, Luíz César Pio, o cliente escolhe o caminhão com a mecânica de sua preferência e a Herbicat acopla o melhor pulverizador. Entre os benefícios da tecnologia, destacam-se um maior rendimento operacional e agilidade nas manobras, menor custo por hectare tratado e melhor qualidade na distribuição da aplicação e no controle de alturas das barras. “Lembrando que o equipamento também está disponível em outras versões, como para aplicação de adubo líquido e vinhaça.”
 
A SmartBreeder, juntamente da Syngenta, apresentou o SmartBio, sistema que promete revolucionar o manejo de pragas e doenças da cana-de-açúcar, devido a sua capacidade de gestão de dados, que pode chegar a mais de três milhões. Através da análise do banco de dados de cada usina, cruzando fatores de susceptibilidade as pragas e doenças, como variedade, clima, fertilidade e histórico de cada talhão, o software entrega mapas de favorabilidade, que indicarão com alto grau de confiabilidade onde e quando haverá infestações de determinadas pragas e doenças.
 
A Strider apresentou o Protector, uma eficiente ferramenta de monitoramento de pragas, que reduz custos com aplicações de defensivos e permite aplicações mais precisas. Isso quer dizer impacto positivo no ATR, uma cultura mais saudável e uma lavoura mais sustentável.
 
A EUROFORTE falou sobre o BVBOOSTER, um fertilizante foliar em calda apronta para nutrição das bactérias diazotróficas endofíticas através da planta hospedeira. O produto é específico para eliminação integral do uso de N-Mineral na cana soca e aumento da produtividade.
 
A Bayer CroScience abordou sua tecnologia Field Manager, que integra a plataforma Digital Farming da multinacional. Esse sistema ajuda na identificação de plantas daninhas e na geração de mapas de aplicação liga/desliga para maior proteção das lavouras e economia. O serviço já foi testado por agricultores em Goiás e agora será disponibilidade para clientes selecionados em Rio Verde/GO.
 
A GranBio falou sobre as características das suas variedades de cana-energia Vertix. Segundo o diretor de tecnologia agrícola da Empresa, José Bressiani, as principais vantagens da cana-energia são a alta produtividade e robustez, devido ao elevado teor de fibras contido nela. “Essas características a tornam a melhor opção de matéria-prima, tanto para a indústria de biocombustíveis e bioquímicos de segunda geração, como para a geração ou cogeração de energia elétrica.”
 
Já a IDGeo – Inteligência em Dados Geográficos, empresa especializada na governança de dados, modelagem e produção de geoinformação para agricultura, com destaque ao desenvolvimento de análise espacial e monitoramento remoto do ambiente produtivo, avaliou o desempenho do piloto automático em diversas operações agrícolas.
 
A Jacto abordou suas soluções para o gerenciamento da qualidade e do rendimento operacional da pulverização. As informações são enviadas pelas máquinas automaticamente através de rede celular (GPRS) ou WIFI ao servidor. Havendo conectividade, elas podem ser acessadas em tempo real, via internet, por meio de smartphones, computadores ou tablets.
 
A grande novidade da John Deere foi seu monitor de colheita, tecnologia voltada para tomadas de decisão cujo objetivo é otimizar a operação em tempo real. O monitor é composto por sensores ópticos, posicionados no elevador, que irão captar imagens do material que está subindo pelo elevador. Através dessas imagens, será possível identificar o que é cana e o que é impureza vegetal. Os volumes obtidos são transformados em massa, ou seja, em toneladas de cana e porcentagem de impureza vegetal. A partir desses dados, várias informações serão geradas para o operador, em tempo real, no monitor.
 
A Fertiláqua apresentou sua linha Longevus, que tem como objetivo principal auxiliar na revitalização do solo para o plantio de cana-de-açúcar com produtos que atuam na melhoria da qualidade do solo e estimulam a fisiologia da planta, buscando ampliar o número de cortes do canavial tratado, contribuindo para maior produtividade e longevidade.
 
A BASF aproveitou o INOVACANA para falar sobre sua tradição na área de inovação tecnológica. “A BASF gera ano após ano, dia após dia e minuto após minuto uma nova inovação para atender as diferentes demandas da sociedade em geral”, afirmou o gerente de desenvolvimento técnico de mercado para os cultivos de cana, café, citrus e amendoim, André Luís Mattiello. Para o setor canavieiro, uma das principais inovações desenvolvidas nos últimos anos foi a tecnologias de mudas pré-brotadas AgMusa, um sistema de formação de viveiros de cana-de-açúcar com mudas sadias, oriundas de variedades nobres para a produção de gemas de alta qualidade. 
 
A Valtra apresentou ao público a BE1035 Mudas, primeira colhedora de mudas de cana. Além de ser a única colhedora de fábrica preparada para a colheita de mudas, a máquina utiliza exclusivo sistema de esteiras de borracha substituindo os rolos transportadores, reduzindo em 46% os pontos de atrito das mudas no equipamento. O resultado da tecnologia é a preservação das gemas, parte responsável pela germinação de novas plantas.
 
Por fim, a Solinftec, em parceria com a Usina Cerradinho Bio, falou sobre suas soluções para o setor, que vão do preparo de solo à colheita. A plataforma da empresa conecta pessoas, máquinas de diferentes modelos e fabricantes e informações climáticas, criando um ecossistema inteligente que fornece insights para a otimização de operações mecanizadas, racionalização de insumos e aumento da produtividade


Fonte: CanaOnline