Clipping

Emirados Árabes deixam portas abertas para etanol brasileiro

Postado em 10 de Outubro de 2019

De volta ao Brasil depois de uma série de reuniões com representantes do governo, de fundos de investimentos e empresários dos Emirados Árabes Unidos, em Dubai e Abu Dhabi, o diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão, revela que os árabes abriram um bom espaço para futuras discussões de como fortalecer uma parceria em relação ao etanol brasileiro. A participação da UNICA faz parte do projeto setorial com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

O Executivo conta que o objetivo da missão foi levar uma ideia de trabalho conjunto, fomentando o aumento ou implementação da mistura de etanol à gasolina como forma de combater três grandes desafios dos países, principalmente asiáticos: aquecimento global, poluição local e desenvolvimento rural.

“O uso do etanol traz três benefícios claros e diretos: ambiental, melhoria da saúde pública e desenvolvimento econômico. Ambiental, pois reduz em mais de 90% as emissões comparativamente à gasolina; de saúde pública, pela redução de emissões de vários poluentes deletérios à saúde nas grandes cidades, como SOx, material particulado e hidrocarbonetos; e econômica, pela possibilidade de aumentar e diversificar a renda de produtores rurais em diversos países, utilizando as mais diversas matérias primas”, informa Leão, destacando um potencial quarto benefício, que seria a redução da dependência de importações dos derivados de petróleo.

IRENA

Além de reuniões com agentes da cadeira produtiva, o diretor executivo da UNICA participou de reunião com representantes da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), cuja sede global é em Abu Dhabi.

“A reunião foi muito produtiva, e ficou claro que a biomassa, e particularmente os biocombustíveis, estão fortemente inseridos na agenda da IRENA, com papel preponderante para o atingimento das metas globais de redução de gases de efeito-estufa, principais causadores do aquecimento global”, comenta o diretor.

Recentemente, a agência divulgou o estudo Global Energy Transformation (2019) que revela que os biocombustíveis serão fundamentais para se reduzir em 70% as emissões globais de CO2 até 2050. Além disso, a IRENA apresenta um roadmap e sugere que seria possível ainda quadruplicar o atual nível de mistura do etanol na gasolina, atingindo um nível de até 25%, e de forma sustentável. A expansão de área necessária para essa produção adicional utilizaria pouco mais de 1% do total de áreas agricultáveis no mundo.

PROJETO

A Apex-Brasil e a UNICA publicaram, em fevereiro de 2008, estratégia para promover a imagem dos produtos sucroenergéticos no exterior, em especial do etanol brasileiro como uma energia limpa e renovável. As duas entidades assinaram um convênio que prevê investimentos compartilhados.

O projeto pretende influenciar o processo de construção de imagem do etanol e demais derivados da cana junto aos principais formadores de opinião mundial, bem como empresas de trading, potenciais investidores e importadores, ONGs e consumidores.


Fonte: Unica