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Entidades criticam redução da mistura de biodiesel no diesel

Postado em 14 de Agosto de 2020

Entidades que represnetante setores que integram a cadeia produtiva do biodisel criticaram a decisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), de reduzir temporariamente de 12% para 10% a mistura do combustível renovável no diesel convencional. A medida vale para as entregas previstas para setembro e outubro. Oleilão 75, que havia sido suspenso, será retomado, também seguindo o critério da menor mistura, de acordo com a ANP.

Para a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a medida não tem justificativa, foi tomada de forma precipitada e é prejudicial. De acordo com a Abiove, o argumento utilizado, de falta de biodiesel, só poderá ser comprovada depois que for cumprido o previsto no edital do leilão 75. A Associação destaca ainda que havia o compromisso do governo de comunicar previamente qualquer decisão aos setores envolvidos, para que se evitasse especulação no mercado.

 “O sistema de leilões do biodiesel sempre se caracterizou pela estabilidade de regras e melhorias graduais. A falta de um Comitê de Acompanhamento neste cenário de pandemia, ferramenta que tem sido defendida pela Abiove desde maio, mais uma vez prejudica o biodiesel brasileiro. Forçoso dizer também que as alterações de regras nos certames que estão sendo realizadas desde o L72 trouxeram incertezas para a cadeia produtiva do biodiesel, que é responsável também pela oferta de alimentos”, diz a entidade, em nota divulgada pela assessoria de imprensa.

A Associação dos Produtores de Biodiesel (Aprobio), também em nota, disse ter recenbido com consternação a notícia da redução da mistura de biodiesel no diesel. De acordo com o a entidade, “não é a primeira vez que há interferência de agentes do governo durante a realização de um leilão, sempre em prejuízo dos produtores ofertantes”.

“A oferta no presente leilão está muito justa e o preço é resultado de uma conjuntura de demanda mundial de soja. Há pelo menos dois meses os produtores alertaram ao governo de que seria imprescindível a viabilização de uma forma de financiamento que pudesse garantir a manutenção de um estoque estratégico de matéria-prima suficiente no país para atender à demanda no segundo semestre não só para o setor de biodiesel, mas, principalmente, para o setor de carnes (bovina, aves e suínos). A recomendação foi ignorada”, diz a Aprobio, no comunicado.

A entidade pontua que, nas ocasiões em que houve oferta maior que a demanda, os preços praticadosnos leilões foram muito baixos, até mesmo com margens negativas para os produtores. E que, junto com outros representantes da cadeia produtiva, fez diversos alertas sobre a situação de mercado que poderia ser trazida pela pandemia de coronavírus.

“Todas essas interferências tiram a credibilidade do mercado, sobretudo, do lado financeiro das empresas, afetando sobremaneira a garantia para seus investimentos”, diz o comunicado.

 


Fonte: Globo Rural