Clipping

Entre EUA e China, governo inteligente fica com os dois

Postado em 22 de Outubro de 2020

Chineses lideram compras de alimentos no Brasil, e americanos auxiliam na tecnologia.

As mais recentes liberações de importações brasileiras de produtos agrícolas pelo governo colocaram os Estados Unidos em destaque.

Os americanos têm à disposição dos brasileiros etanol, trigo, arroz, milho e soja. Quanto a esses produtos, à exceção do combustível, o Brasil não dependia dos Estados Unidos.

Neste ano, porém, devido à escalada das exportações brasileiras, o país está recorrendo ao mercado americano para repor estoques.

Os EUA são importantes também em alguns produtos básicos para a produção de proteína no Brasil. Ovos fertilizados e sêmen bovino estão no topo da lista das compras brasileiras no mercado americano. 

A relação comercial entre os dois, porém, é pequena, uma vez que são extremamente concorrentes no mercado mundial nos mesmos produtos.

Os americanos são muito importantes para o café brasileiro. Até setembro, os Estados Unidos despenderam US$ 635 milhões (R$ 3,56 bilhões) no país com esse produto em grão. As importações de café solúvel somaram US$ 82 milhões.

Os brasileiros se aproveitam também do mercado dos Estados Unidos no etanol, nas carnes processadas, nos sucos e na açúcar. Neste último caso, devido à reserva de mercados dos americanos, a participação brasileira é bem menor do que deveria ser.

Já o mercado chinês toma outra dimensão, quando se trata de produtos agrícolas. As importações brasileiras são pequenas e praticamente se restringem a alho, produtos para alimentação animal, tripas de porco e de cordeiro, produtos hortícolas e peixes.

Do lado das exportações brasileiras, no entanto, a dimensão é outra. As vendas de alimentos do Brasil para a China somam US$ 25,6 bilhões neste ano, enquanto as para os Estados Unidos se restringem a US$ 2,4 bilhões.

Atualmente, os setores brasileiros de soja e de carnes não teriam a importância que têm sem a China. Avançam também no mercado chinês, as vendas brasileiras de suco e de açúcar. Esta última já soma US$ 700 milhões neste ano.

Enquanto a China é importante nas compras de alimentos do Brasil, os Estados Unidos têm contribuição a dar na parte de tecnologia.

 


Fonte: Folha de S. Paulo (21/10)