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Enxugamento do etanol (e do milho) com maior mistura nos EUA pode diminuir importações do Brasil

Postado em 7 de Outubro de 2019

Se vingar o plano do governo de Donald Trump de talvez dobrar o consumo de etanol (as informações das agências ainda são imprecisas) adicionado à gasolina nos Estados Unidos, saindo dos 15 bilhões de galões/ano atuais – aproximadamente 74 bilhões de litros – poderá atenuar o excedente do biocombustível de milho (cereal também com alto excedente) exportado a partir de 2020.

Ainda é cedo para conclusões, pois não está totalmente claro o novo nível de etanol que poderá ser misturado, mas pode ser que tire um pouco mais da força que o etanol americano ganhou no mercado brasileiro quando o governo Bolsonaro aumentou, no começo de setembro, a cota livre de impostos sobre as importações feitas pelo Brasil.

A medida, anunciada nesta sexta (4), vai entrar em consulta pública, e aprovada, valeria a partir de 2020, quando também estará mais forte a entrada do etanol americano no Brasil, com o aumento de 600 para 750 milhões de litros/ano isentos de taxas. Anualmente, a importação supera a cota – já chegou a pico de 1,2 bilhão/l – basicamente toda ela internada no Nordeste.

No começo do ano, Trump flexibilizou o chamado E15, que desde o governo Obama era proibido vender o etanol durante o verão. Mesmo sem essa restrição, ainda assim não era exigido que as refinarias fizessem a mistura nessa totalidade de 15%.

Agora, aparentemente passaria a ser exigência, depois que o setor de milho apelou para os prejuízos sofridos com a guerra comercial com a China e depois, também, de as petroleiras se verem livre da obrigação do adicionamento do etanol.

Haverá ainda uma queda de braço com o poderoso lobby do petróleo, sempre refratário à mistura, argumentando com os custos que acarreta, quanto também temendo pela concorrência cada vex mais direta.

Maior mistura, menos petróleo consumido.

 


Fonte: Money Times