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Ernesto Araújo volta a defender cota sem tarifa para importação de etanol

Postado em 25 de Setembro de 2020

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, voltou a defender nesta quinta-feira a extensão, por três meses, da cota de importação de etanol sem tarifa, que beneficia diretamente os Estados Unidos. O chanceler insistiu, mais uma vez, que a medida é temporária e cria "espaço negociador" para que o governo brasileiro encontre uma "solução" de longo prazo no setor do etanol, do açúcar e milho junto ao governo americano.

"Essa extensão foi provisória para nós termos um espaço negociador para tentar achar uma solução de longo prazo que seja de benefício tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos no setor do etanol, do açúcar e também do milho. Pela primeira vez os Estados Unidos estão aceitando falar de açúcar no contexto dessas negociações. Isso é um avanço importante. E já comprovaram esse avanço com essa cota, que é o momento inicial dessa negociação, de 80 mil toneladas adicionais de açúcar, passando de 230 mil toneladas para 310 mil, o que beneficia única e exclusivamente o Nordeste", disse.

Apesar dos argumentos de Araújo, a medida enfrentou resistência de outros ministérios e do setor privado. Um dos motivos é que a abertura de uma cota temporária para importação de etanol sem a tarifa de 20% do Mercosul não deve resultar de imediato na entrada de grandes volumes no país, segundo analistas. Mesmo isenta, a importação é pouco atrativa por causa do dólar alto e dos preços do etanol nos EUA. O produto americano chega ao Nordeste por R$ 2.490/m3. Com os custos de internalização, o preço supera o do etanol brasileiro.

Segundo o chanceler, esta foi a maneira que o Brasil encontrou de "negociar". Questionado sobre a efetividade dessa política, ele disse que, caso o governo não consiga melhorar as condições dos produtos brasileiros no comércio bilateral, o país terá que ter "paciência".

"Nossa perspectiva é não a de travar mercados, porque aí ninguém ganha. Quer dizer, nós não queremos que ninguém ganhe: queremos que os dois ganhem. Essa é a maneira de negociar no comércio, e é isso que nós estamos procurando achar nesse processo negociador. Esperamos conseguir. Se não conseguirmos, paciência, mas aí ninguém ganhará e ninguém perderá. Nós queremos que ambos ganhem. Achamos que é possível encontrar soluções interessantes para o setor do álcool e do açúcar, do etanol e do açúcar, tanto no curto, quanto no médio e no longo prazo", afirmou.

O ministro também enalteceu a concessão, por parte do governo americano, do volume adicional de 80 mil toneladas em sua cota de importação de açúcar com tarifas reduzidas para a temporada 2019/20. Embora o volume represente apenas 0,3% das exportações brasileiras de açúcar nos últimos 12 meses, o governo Jair Bolsonaro comemorou a medida como um "primeiro resultado" das negociações com os americanos para compensar a cota de importação de etanol.

"Nós apontamos para um mercado extraordinário de etanol no mundo todo se nós conseguirmos realmente o nosso propósito de transformar o etanol numa commodity mundial. Brasil e Estados Unidos são os grandes interessados nisso. Somos os grandes interessados também que os Estados Unidos implementem misturas mais elevadas do etanol na gasolina, o que vai decuplicar o mercado de etanol para o mundo, em benefício nosso", disse.

Por fim, Ernesto Araújo argumentou que isso faz parte de uma nova "atmosfera negociadora" com os EUA, o que teria aberto a perspectiva de três acordos regulatórios. "Isso faz parte de uma nova atmosfera negociadora com os Estados Unidos, uma atmosfera construtiva, que já nos permitiu vários ganhos. Temos agora, reitero, a perspectiva de três acordos regulatórios que estão em andamento, quase sendo terminados. Há o acordo de facilitação de comércio, o acordo de convergência regulatória e um interessante acordo anticorrupção", disse.

 


Fonte: Valor Economico