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“Esquecidos”, nematoides podem reduzir produtividade da cana -planta em 20 toneladas por hectare

Postado em 16 de Novembro de 2020

Nematicida químico da ADAMA, Legado possui perfil toxicológico mais brando que as demais soluções no mercado e atua com altos níveis de eficácia na região radicular das plantas

Desde o fim da colheita manual, certas pragas ganharam relevância nacional dentro do sistema de produção de cana-de-açúcar. Sphenophorus levis, broca-da-cana e cigarrinha-das-raízes foram elevadas ao status de principais “inimigos” da cultura. Estima-se que, atualmente, 80% dos gastos com inseticidas sejam direcionados unicamente para o controle dessas pragas. “Enquanto isso, os nematoides foram colocados na prateleira, como se não existissem e não provocassem danos”, observa Weber Valério, diretor da AgroAnalítica.

O consultor relata que, nos últimos anos, o setor parece ter abandonado os nematoides. Segundo ele, os profissionais estariam muito mais preocupados com as pragas que “matam perfilhos” e se esquecendo que, abaixo do solo, mora um monstro invisível que pode dizimar um canavial. “A cada safra, os profissionais do setor despendem demasiado esforço, tempo e dinheiro para conseguir um incremento de produtividade de apenas uma tonelada por hectare. O que eles não percebem é que existe uma praga escondida em seus canaviais que leva facilmente de 10 a 20 vezes esse valor.”

Na média, os nematoides podem causar prejuízos na ordem de 20 toneladas de cana por hectare (TCH) em cana planta e de 10 TCH a 12 TCH em cana soca. Com base nesses dados e em informações de reformas e tratos em soqueiras, estima-se que o setor perca, anualmente, mais de R$ 10 bilhões apenas com os ataques dessa praga. “Os impactos são assustadores. Embora os nematoides não matem perfilhos, eles podem reduzir a sua quantidade, além de diminuir a biomassa da planta. Já vi gestores tendo que subtrair 40 toneladas por hectare (ton/ha) da produtividade estimada da cana planta e 20 ton/ha da soca.”

Para Weber Valério, profissionais do setor “abandonaram” os nematoides

De acordo com Weber Valério, mais de 250 espécies de nematoides já foram associadas à agricultura. No entanto, os mais problemáticos para a cultura da cana-de-açúcar são os das galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica) e os das lesões radiculares (Pratylenchus zeae e P. bracyurus). “Em função dos dados que recebemos de laboratórios, acreditamos que 50% a 60% das áreas de cana-de-açúcar no Brasil possuam, ao menos, uma espécie relevante de nematoides.”

Na contramão, conjecturas apontam que apenas metade das áreas de cana planta no país recebam a aplicação de algum tipo de nematicida, seja ele químico ou biológico. Já em cana-soca, os valores são bem menores. Apenas 5% desses canaviais são tratados com alguma ferramenta que vise o controle dos nematoides.

Eficiência no controle de nematoides e respeito ao meio ambiente

Por vezes esquecidos, os nematicidas químicos disponíveis no mercado são extremamente eficazes no manejo dos nematoides em cana-de-açúcar. Porém, o consultor e diretor da AgroAnalítica ressalta que não existe essa história de simplesmente saber onde tem ou não nematoides. “Muitos profissionais aplicam o nematicida em determinada área porque ali ‘sempre teve nematoide” e não aplicam em outra porque, para eles, ali não tem. Isso não deve acontecer. O correto é pegar solo e raiz e enviar para um laboratório especializado.”

Uma vez amostradas as áreas, é chegada a hora de entrar com o defensivo. Uma das principais opções disponíveis no mercado é o Legado, nematicida químico da ADAMA, companhia com papel de destaque em uma das maiores holdings do agronegócio global. No final de outubro, a empresa participou do 16º Insectshow, evento organizado pelo Grupo IDEA e que, em 2020, foi realizado 100% on-line em cumprimento às determinações dos principais órgãos globais e brasileiros de saúde que recomendam o isolamento social e a não aglomeração de pessoas durante a pandemia do novo Coronavírus (COVID-19).

No espaço dedicado às inovações e tecnologias para cana-de-açúcar, a ADAMA apresentou detalhes de seu nematicida desenvolvido especificamente para a cultura. Com perfil toxicológico mais brando que as demais soluções no mercado, Legado atua com altos níveis de eficácia na região radicular das plantas, onde se concentra a presença dos nematoides.

Presente na palestra da ADAMA, juntamente com o engenheiro de desenvolvimento de mercado da companhia, Fernando Amstalden, Weber Valério salientou que o Legado é uma excelente ferramenta para um controle efetivo dos nematoides em cana-de-açúcar. “Uma das grandes características do nematicida da ADAMA é sua baixíssima toxicidade. Dessa forma, ele será eficaz no controle dos nematoides prejudiciais à cultura, sem causar danos às espécies benéficas que também estão presentes no solo. Além disso, o produto não registra problemas de interações negativas com herbicidas aplicados em pós-plantio.”

O consultor também ressaltou a meia vida longa do produto. Testes em campo mostraram que, mesmo quando aplicado no início da safra, Legado continuará controlando os nematoides no final do ciclo (outubro e novembro), quando o reestabelecimento da umidade no solo favorecerá a proliferação dos nematoides.

“Em função de seu baixo Kow e forte mobilidade no sistema, Legado é pouco adsorvido. Num período em que estamos trabalhando fortemente a matéria orgânica na linha, essa característica se mostra ainda mais importante, já que a maioria dos nematicidas químicos do mercado são adsorvidos. Levando em consideração esse fato, posso afirmar que a ADAMA entrega uma tecnologia de ponta para o setor e que pode ser posicionada com bastante segurança em qualquer período do ano.”

Em cana planta, recomenda-se aplicar Legado no sulco de plantio, sobre os toletes e em faixas de 50 cm de largura, fechando o sulco em seguida. Em soqueiras, o produto deve ser aplicado na linha de plantio, utilizando um disco para cortar a touceira aplicando o nematicida dentro da linha de corte. A aplicação deve ser realizada em torno de 30 dias após a colheita e no início do período chuvoso.

 


Fonte: CanaOnline