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Estado aumenta imposto sobre combustível, que vai subir mais

Que a gasolina nunca esteve tão cara a gente já sabe. O preço médio do litro em Minas Gerais estava em R$ 4,167 no fim de 2017, segundo levantamento oficial da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Agora, vai subir mais. O governo de Minas aumentou de 29% para 31% a alíquota de ICMS sobre a gasolina, e de 14% para 16% o imposto sobre o etanol, numa decisão tomada, ironicamente, no Dia da Liberdade de Impostos do ano passado, e que passou a valer no dia 1º deste mês.

Segundo o diretor do Minaspetro (o sindicato dos postos), Braúlio Chaves, os repasses já estão chegando aos postos. “O impacto é de mais de R$ 0,12 no preço da gasolina e por volta de R$ 0,08 no etanol”, diz.

O brasileiro ainda está se acostumando à nova política de preços da Petrobras, em vigor desde junho do ano passado. Antes, a influência do governo sobre a petroleira era maior, e a empresa segurava os preços por determinações políticas. Depois que passou a adotar a paridade com o mercado internacional, esses aumentos represados chegaram à bomba.

Quem tem veículo se vira para conviver com o gasto maior sem aumento na renda. Tem gente que até muda o estilo de vida. “Quase não uso mais a minha moto, estou agora com a bicicleta. Eu gastava entre R$ 120 e R$ 150 com gasolina por mês. Passou para R$ 200”, conta o caixa Matheus de Souza. “Troquei meu carro 1.8 por um 1.0 para economizar. Agora também procuro ir a pé aos lugares”, diz o professor Filipe Quintão.

O aumento do imposto não agradou os motoristas. “É um absurdo. O problema não é só essa alta do ICMS. As constantes elevações de preço da Petrobras impactam não só na hora de abastecer, mas no preço de outras coisas”, analisa o motorista de ônibus Aylton Elias da Silva, que, aos poucos, foi reduzindo o uso do carro. “Do jeito que as coisas estão indo, estou com receio de pagar R$ 7 pelo litro da gasolina no fim do ano”, diz.

Para Leonardo Fernandes, gerente do posto Vila Pica Pau, em Contagem, a elevação do imposto vai piorar a vida do motorista, mas também a dos empresários do setor, que convivem com a redução das margens de lucro e das vendas. “O comportamento do consumidor vem mudando por causa das altas constantes da Petrobras. Quem antes completava o tanque agora coloca combustível aos poucos, R$ 20, R$ 50 de cada vez”, diz.

Postos filiados ao Minaspetro estão, desde terça-feira (2), exibindo faixas e cartazes contra o aumento do ICMS no Estado e do PIS/Cofins (federal) incidente nesses produtos. “Queremos que os clientes entendam que estamos junto com eles nessa revolta contra o atual preço da gasolina”, diz o presidente da entidade, Carlos Guimarães Jr.

O sindicato afirma que Minas está perto de ultrapassar uma carga tributária de 50% sobre os preços dos combustíveis. Segundo a Petrobras, só 29% do preço da gasolina depende dela.

A Secretaria de Estado de Fazenda informa, em nota, que, especificamente no caso do álcool, a nova alíquota visa aproximar o percentual cobrado em Minas Gerais ao de outros Estados. De acordo com a secretaria, o ICMS do álcool em Minas Gerais permanece inferior aos índices de pelo menos 22 unidades da federação, que variam entre 23% (Pernambuco) e 30% (Rio Grande do Sul).

 

'Quando é para subir, é rápido'

A diferença da velocidade dos repasses do preços dos combustíveis também incomoda o consumidor. “Quando é que para subir, o repasse é rápido. Quando o preço abaixa, demora a chegar na gente”, reclama o caixa Matheus de Souza.

O diretor do Minaspetro, Braúlio Chaves, diz que isso ocorre porque os postos ainda estão se adaptando à nova política de preços da Petrobras. “Estamos aprendendo a precificar num cenário de oscilação. Além disso, existem diversas variáveis que interferem na composição de preços da longa cadeia do setor”, analisa.

 


Fonte: Jornal O Tempo