Clipping

Esticando a produtividade dos canaviais por mais safras

Postado em 20 de Novembro de 2019

É comum na cultura canavieira renovar o canavial em torno do quinto corte, já que a produtividade, normalmente é baixa, reduzindo a competitividade. Mas com a crise que se estende há mais de uma década, os investimentos foram bastante reduzidos, até mesmo na renovação do canavial, a etapa mais cara da produção, custa cerca de R$ 8.000 o hectare. Assim, os canaviais estão envelhecidos, a média de idade na última safra foi de 6,4 anos.

No entanto, um novo conceito cresce no setor, o canavial longa-vida, onde troca-se a renovação no habitual quinto corte, por melhores tratos na soqueira, mantendo alta produtividade por mais cortes. Ou seja, deixa-se de renovar não por falta de recursos, mas porque o canavial, mesmo velho, ainda oferece uma produtividade competitiva.

A prática ganha força no setor. Um exemplo são os produtores de Mato Grosso do Sul, vários deles, ao invés de renovarem os contratos de arrendamento com as usinas, resolveram assumir o cultivo de suas áreas. Muitas delas, os canaviais no sexto corte iam para a reforma, já que estavam com produtividade na casa das 60 toneladas por hectare (TCH). Porém, ao invés de reformar a área, os produtores decidiram tratá-la com carinho. E não é que os canaviais corresponderam, algumas já passam do décimo corte e registram produtividade de quase 100 toneladas de cana por hectare, outras até mais que 100.

Seria um milagre? Na opinião de José Trevelin Júnior, diretor da consultoria TCH Gestão Agrícola, que atende muitos desses produtores, não se trata de milagre. Ele conta que, para o aumento da produtividade mesmo em canaviais considerados velhos, o correto é fazer o necessário, bem-feito e na hora certa. “Agricultura, também em cana, está muito alicerçada no timing. Não adianta colocar insumo certo na hora errada. Para mim, é neste ponto que os grandes grupos falham, pois, devido ao alto volume de áreas para cuidar, acabam perdendo as janelas ideais.”

O consultor observa que utilizar as tecnologias disponíveis no mercado ajuda os que desejam aumentar suas produtividades. “No Mato Grosso do Sul, os produtores que alcançam os melhores números em cana são aqueles que aplicam tecnologias, como o mapeamento de falhas com o uso de drones e o replantio nas falhas com mudas pré-brotadas (MPBs), aplicação em taxa variável. Mas ter tecnologia, ter insumos, nada vale se não saber como e quando utilizá-los, o mais importante ainda é ter uma boa gestão agrícola”, salienta Trevelin.


Fonte: CanaOnline