Clipping

Etanol: a pegada de carbono na fase industrial

Postado em 30 de Julho de 2020

Para fabricar biocombustíveis como o etanol, cumprir metas de sustentabilidade passou a ser obrigatório no Brasil, desde a entrada em vigor da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), em 2019. É necessário, portanto, investir em boas práticas de produção e tecnologias mais eficientes para ampliar a produtividade e reduzir a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE). Na última reportagem da série sobre a pegada de carbono na cadeia produtiva de etanol, abordaremos os impactos na fase industrial de produção.

No âmbito do programa, a Nota de Eficiência Energético-Ambiental, calculada pela ferramenta RenovaCalc, levanta todos os processos usados pelos produtores, do registro das áreas agrícolas aos métodos implementados nas etapas industriais, passando por tipos de fertilizantes, insumos e defensivos aplicados.

Quanto menos impactar o ambiente, maior nota a usina recebe. “Se você usa combustível limpo, aumenta sua eficiência energético ambiental. Adotamos o diesel B10, que tem uma porcentagem de biodiesel na formulação”, conta o gerente de Recursos Humanos, Meio Ambiente e Qualidade da Usina Ferrari, Claudemir Fogues . A usina de Porto Ferreira (SP) é uma das 34 associadas à Copersucar.

Durante a elaboração do etanol, a fermentação e a combustão das caldeiras geram dióxido de carbono, mas a quantidade emitida é compensada. “O crescimento das plantações de cana-de-açúcar absorve esse gás no processo de fotossíntese”, explica Fogues. Segundo aferições da Ferrari, a fabricação de etanol gera 38,2 gCO2 eq/MJ, somando todos os setores da produção. A fase agrícola responde por 82,7% do total (31,6 gCO2 eq/MJ) e a etapa industrial, por 5,2% (2,0 gCO2 eq/MJ).

Competição sustentável

Com a auditoria da planilha de medições por uma certificadora registrada na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a nota do fabricante é multiplicada por sua produção anual e rende Créditos de Descarbonização (CBios), que podem ser negociados no mercado de ações. Até o início de junho, as usinas sócias da Copersucar haviam emitido 435 mil CBios. “O programa está em desenvolvimento, mas conscientiza os produtores e entrega a eles um valor real”, avalia Fogues, da Ferrari.

Para o professor Gonçalo Pereira, coordenador do Laboratório de Genômica e Bioenergia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o RenovaBio incentiva a competição sustentável entre os fabricantes de biocombustíveis e estimula a eficiência, premiando as cadeias de produção que menos agravam o aquecimento global. “Trata-se de uma política que induz a evolução de todo o setor”, elogia o professor. “O mundo já está vivendo uma crise climática, que vai se agravar. Investir no RenovaBio pode ser a grande saída para o setor.”

 


Fonte: Copersucar