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Etanol: ‘A situação é desesperadora’, diz diretor da G7 Consultoria

Postado em 23 de Abril de 2020

Segundo João Baggio, usinas em áreas do Centro-Sul onde começou a safra de açúcar pensam em interromper as operações

De acordo com a G7 Consultoria, os estoques de etanol atingiram 70% da capacidade das usinas do Centro-Sul do país. Nesta quarta-feira, 22, o Mercado & Cia conversou com João Baggio, diretor da consultoria, que avaliou como preocupante a situação do escoamento lento do etanol e queda nos preços do açúcar e petróleo.

“O consumo mundial diário de petróleo caiu de 10 milhões para 6 milhões de barris, mas o ritmo de produção não diminuiu, então a tendência é manter esse preço baixo. Isso impacta diretamente o etanol brasileiro e os preços do açúcar, então a tempestade perfeita está se formando”, comenta Baggio.

De acordo com o diretor, muitas empresas avaliam paralisar as atividades, “usinas em áreas do Centro-Sul onde começou a safra de açúcar pensam em interromper as operações, mais de 80 usinas já estão moendo o açúcar. Então por que produzir etanol se não há consumo?”, questiona João.

Sobre o que deveria ser feito, o diretor da consultoria acredita que as usinas deveriam interromper a produção por 15 a 30 dias e esperar uma retomada no consumo e nos preços. “Se a quarentena não acabar logo, e retomar a atividade econômica, como as usinas vão produzir o etanol se não terão como estocá-lo? Por isso que acredito que a melhor opção seja parar a produção e aguardar uma recuperação no mercado”.

Quanto à cadeia do setor sucroenergético, Baggio acredita que há risco de produtores não receberem sobre a cana-de-açúcar entregue, “se as usinas recebem pagamentos com prejuízo ou em alguns casos não recebem, as empresas não vão conseguir pagar o produtor visto que elas possuem vários problemas financeiros há alguns anos, muitas que estão em processo de recuperação judicial e não vão conseguir créditos para financiar o pagamento de um fornecedor ou dos próprios trabalhadores e insumos utilizados para manter os trabalhos, a situação é desesperadora para muitas usinas neste momento”.

Baggio prevê um colapso para o setor, “não haverá fontes de financiamento pois muitas usinas independentes estão em processo de recuperação judicial e não há fluxo e nem capital de giro, produzindo um produto com baixa remuneração ou sem remuneração em alguns casos. Com isso, não há como sustentar a produção e o funcionamento das usinas”, finaliza o diretor.

O diretor ainda confirmou que muitas usinas alegaram força maior por conta da pandemia da Covid-19 e interromperam ou renegociaram contratos com distribuidoras.


Fonte: Canal Rural