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Etanol coloca Trump e Bolsonaro em armadilha

Postado em 21 de Agosto de 2020

Antes do jantar, Trump fez uma aparição rápida diante de jornalistas ao lado de Bolsonaro. Elogiou o brasileiro, mas não se comprometeu quando o assunto era o aumento de impostos dos produtos que chegam do Brasil.

Um deles sai chamuscado com o agronegócio em seu país na decisão sobre a taxação do combustível.
Os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro estão em uma discussão espinhosa. O resultado final pode complicar a vida de um deles no setor do agronegócio de seu país.

Em 31 deste mês, o Brasil define sobre a isenção ou não de imposto sobre o etanol americano que chega ao país. Atualmente, até 750 milhões de litros estão isentos de taxa. A partir deste volume, o produto americano paga 20%.

Bolsonaro já havia favorecido os americanos em 2019, elevando o patamar de isenção, que era de 600 milhões de litros até então.

Trump faz uma interpretação enviesada dessa taxação, e diz que deveria haver reciprocidade do Brasil, já que os Estados Unidos não impõem custos tarifários ao etanol brasileiro.

Ele não leva em consideração, no entanto, que os 750 milhões de litros de etanol isentos de tarifa que os americanos colocam aqui no mercado brasileiro representam 1,1 milhão de toneladas de açúcar, produto que tem taxa proibitiva de importação nos Estados Unidos.

Os americanos liberam uma cota pequena, de 150 mil toneladas de açúcar, dependendo do ano, para os exportadores brasileiros. Fora desse limite, a taxa de importação nos Estados Unidos vai até 140%. Os americanos, portanto, estão no lucro nessa relação com o Brasil.

O presidente Trump se meteu, na verdade, em uma armadilha em seu país. Ele tem um grande apreço pelas refinarias petrolíferas e, portanto, já isentou várias dezenas delas da obrigatoriedade da mistura de etanol à gasolina.

Essa medida do presidente irrita os produtores de milho, uma vez que um terço da produção do cereal vai para as usinas de etanol nos Estados Unidos.

Boa parte dos produtores americanos está furiosa, ainda, com a política externa de Trump, principalmente com a guerra comercial com a China.

Maior importador de alimentos no mundo, o país asiático reduziu as compras nos Estados Unidos, derrubando as margens de ganho dos agricultores.

O problema maior para o Trump é que o grande apoio dele na eleição presidencial veio do campo. Quer, portanto, um trunfo nas mãos: a liberação das exportações de etanol para o Brasil.

Em tempos de eleição, seria o ideal para o presidente americano. Ficaria de bem com as petrolíferas, isentando parte delas da mistura do etanol, e com os produtores agrícolas e de álcool, que teriam o mercado brasileiro sem taxas.

Bolsonaro vai ter de medir bem a decisão que vai tomar. Assim como nos Estados Unidos, o campo foi uma das principais bases de apoio do presidente. Boa parte do centrão, do qual o presidente se aproxima, tem como base eleitoral produtores agropecuários.

Além disso, um ato de bondade do presidente brasileiro para dar uma ajudazinha a Trump nas eleições de novembro pode não ser compactuado com o Congresso, que vai decidir sobre a medida tomada pelo presidente.

Cana

A produção desta safra fica estável em 642 milhões de toneladas. Já a de açúcar sobe para 39,3 milhões de toneladas, 32% mais do que na anterior.

A produção total de álcool de cana recua para 27,9 bilhões de litros, 18% menos, mas a de etanol milho sobe para 2,7 bilhões de litros, uma evolução de 61%. Os dados são da Conab.

Doação

A LDC (Louis Dreyfus Company) está doando R$ 500 mil a hospitais ativos no combate à Covid-19, localizados em alguns dos estados onde a companhia atua. O investimento faz parte da campanha “Unidos, fazemos a diferença!”.

Colaboradores, amigos e familiares da empresa também arrecadaram R$ 22 mil que estão sendo destinados para o desenvolvimento de pesquisas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz)

 


Fonte: Folha de S. Paulo