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Etanol de coco ou o processo para qualquer outra biomassa? Biotecnólogos da Ufes têm os dois

Postado em 10 de Maio de 2021

Há mais de 10 anos, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) resolveram estudar a agregação de valor na destinação dos resíduos do coco. A preocupação era até mais ambiental. Hoje, além do etanol da casca, a instituição tem a patente do método, que pode ser aplicado à qualquer modelo de extração de biocombustível de qualquer outra biomassa.

O Laboratório de Biotecnologia Aplicada ao Agronegócio tem, portanto, dois negócios a oferecer, tentando encurtar o “famoso ‘vale’ entre a ciência e o mercado”, como diz o professor Alberto Fernandes, líder do trabalho agora reconhecido pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi), 10 anos após a solicitação do registro de patente.

Se alguma empresa processadora de coco quiser dar uma destinação rentável “às montanhas de casca que chegam a vários andares de altura”, está segura juridicamente com a patente agora requerida. “E pode produzir etanol para suas necessidades”, pensa Fernandes, que só vê potencial também para escala maior com sistema logístico adequado no litoral do Sudeste e Nordeste.

“No nosso processo de fabricação de etanol utilizando coco verde, conseguimos um rendimento de 12 gramas de etanol a cada cem grama de casca de coco moído”, conta.

E etanol de segunda geração, o 2G, já que está-se falando de biocombustível celulósico, da fibra da casca do coco, um processo que, mesmo na cana-de-açúcar, só se conhece duas unidades produtoras, a da GranBio e uma da Raízen.

Mas se também alguma produtora de etanol de cana de açúcar, ou de palha de arroz no Rio Grande do Sul – entre outros exemplos que não precisam ser de etanol 2G, inclusive -, quiser experimentar, pode também negociar com a Ufes a aplicação do processo, adicionando-o à metodologia tradicional em uso.

“Esta, sim, que foi a inovação”, assegura.

Pelo método de “pressão hidrostática”, acelerando a hidrólise enzimática, a equipe descobriu que há duas vezes mais liberação de açúcares na “quebra” da celulose, portanto gerando mais sacarização para a produção de bioetanol. Eficiência é a palavra que resume o método.

“Naturalmente que há muita coisa para ser testada na engenharia, ou seja, sabemos o que fazer em laboratório”, afirma o Alberto Fernandes, que compartilhou esses novos conhecimentos junto com a professora Patrícia Fernandes e a então doutoranda Érica Albuquerque.

No passado, lembra o professor, algumas empresas foram apresentadas ao método, mas as conversas não prosperaram, diante da aversão ao risco das empresas brasileiras, além do que a insegurança jurídica servia de barreira. Agora, com a patente, há a esperança de haja o interesse.

Só para ficar no exemplo do etanol da casca do coco, o titular do Programa de Pós-Gradução em Biotenlogia da Ufes argumenta que o descarte é um problema muito sério, uma vez que o resíduo contém polifenóis poluentes no composto. Isso, inclusive, dificulta até outras destinações utilitárias para a casca.

 


Fonte: Money Times