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Etanol de milho - a redenção

Postado em 30 de Setembro de 2019

O ETANOL DE MILHO É O FUTURO, NÃO SOMENTE NO MATO GROSSO, MAS DE VÁRIAS REGIÕES DO PAÍS E TÁBUA DE SALVAÇÃO PARA SETORES COMO USINAS DE ACÚCAR E ÁLCOOL OU REGIÕES SEMI ÁRIDAS EM MUITAS REGIOES DO PAÍS. ESTE É APENAS O COMEÇO!

Vejamos numa simples análise preliminar, cujo tema complexo servirá apenas para colocar a bola em campo.

Safra abundante no MT de 30,5Mio/ton. de milho em 2019 e crescente pois a um custo direto de produção de R$ 16,00/saco tendo no mercado de processadores de milho em Etanol de milho o preço pago safra nova de R$ 21,00/saco e na exportação líquida R$ 19,00/saco, o produtor terá bom lucro e ficará satisfeito e, tendo demanda produzirá mais. Como ocorreu com o Bio Diesel para soja, ora temos o milho biocombustível, assim dois mercados referência.

A demanda de etanol limitada no MT levará que 2,5Bio de litros sejam entregues em Paulínia ou nos grandes centros de consumo, com frete estimado em R$310,00/m3, situação melhorara quando o prometido etanol duto entrar em operação daqui há dois a cinco anos. Vai sair, já tem orçamento, projeto, vontade e dinheiro para tanto.

Sendo ainda uma indústria nova, ajustam-se conhecimentos à realidade de mercado. No início pioneiros abriram o mercado, havia mais procura do que oferta, ora com as novas industrias que processarão 6.5Mio/ton/milho/ano não haverá demanda maior do que a oferta para o DDGS 30%, (base) que produzirão no MT e naturalmente que exportando 18.0Mio/tons/ano de milho para outros Estados ou Exportação esta será a referência , como ocorre com o mercado de qualquer grão, cereal, oleaginosa, açúcar, café, enfim.

Há um possível entendimento viesado, pois o gado a ser tratado no cocho são apenas novilhos em terminação (18 meses com 350kgs e que saem aos 24 meses com 550kgs se bem manejados) confinados (850.000) ou semi confinados somando ao redor de 5.000.000 de cabeças num rebanho de 33.000.000 cabeças. Certamente que a pecuária extensiva antieconômica dará lugar a intensiva, porém a progressão se fará ao longo dos anos e não de uma hora para outra, assim teríamos alojados 1.250.000 de cabeças incluindo os desmamados com algo no cocho para liberar mais rapidamente a matriz, a um consumo diário 16quilos/animal/dia em 4 refeições de ração das quais em torno de 51,5 % devem ser de milho para energia e 9,5% para DDGS 30% ou seja proteína, e o saldo deverá ser com volumoso (silagem de capim) pois ruminantes precisam de fibras para o rúmen, assim um consumo de ficará ao redor de 1.000.000tons/ano, para uma oferta de 1.900.000tons/ano de DDGS. Portanto faltará mercado local, não havendo essa tranquilidade de demanda maior do que a oferta. Excedentes serão vendidos no Norte, no MS, etc. acrescentados dos custos logísticos com viabilidade a se confirmarem para cada destino focado, vis a vis a outras fontes de proteínas. Exportação é inviável, pois a conta não fecha e a qualidade para exportação implicaria num rendimento industrial menor cujo custo se tornaria maior ainda.

Supondo que se o milho suporta frete para as exportação das 18,0Mio/ano tomando-se R$ 19,00/saco + frete para digamos, a mesma região de Campinas em São Paulo, de R$ 300,00/ton. (desde Sinop-Sorriso-Lucas-Mutum: o chamado “eixo de ouro” para atender a maior demanda da indústria centrada nessa região de influência), chegaríamos a R$ 38,00/R$39,00/saco. O DDGS 30% partindo de R$ 550,00/mt negociado safra nova base Sinop-Sorriso, chegaria a R$ 850,00/ton. em São Paulo, e, por ponto e qualidade de proteína não concorreria com o farelo de soja 46% proteína a R$ 1.200,00/mt que contem teores maiores de amino ácidos essenciais (lisina, metionina, etc...). Além do que com produção análoga ao do MT, no Triângulo Mineiro, Sudoeste Goiano, São Paulo e Paraná de mais de 30,0Mio de Tons o milho foi negociado safra nova base Paraná a R$ 29,00/saco e se base Avaré a R$ 30,50/saco, e, temos nessa região a demanda próxima para o etanol com frete seja para Paulínia ou Araucária a menos de R$ 100,00/m3, temos a demanda local para o óleo refinado de milho comestível do nosso processo, temos uma concentração enorme de Usinas de Açúcar e Álcool juntamente com as usinas de etanol de milho associadas às existentes operando em complemento de safra, rodaria dessa forma o ano inteiro, haveria um Etanol a custo médio base 50/50 de R$ 1,00/L ou seja uma margem liquida de R$ 0,60/L para redenção do Usineiro que tenha credito e condições de operar. Bem equipado não faltara bagaço e tudo poderá ser financiado, há excesso de liquidez e busca por energia verde e limpa. Este raciocínio vale para os Estados do Nordeste e para o Rio Grande do Sul, aonde tem outra matriz de insumos/produtos, mais mercados locais e mais especificidades a atender (maiores e mais tradicionais produtores de proteínas animal integrados do país e população com a maior renda per capita.

Sim! o Etanol de Milho veio para ficar. Uma tonelada de cana de açúcar cara e complicada de fundear produz menos de 85 litros de etanol por tonelada, enquanto uma tonelada de milho produzirá no nosso sistema e processo 430 litros. O melhor lugar para se produzir etanol de milho vis a vis mercados, bacia leiteira, pecuária, suinocultura e aves, refinarias, e logística seria o Rio Grande do Sul, façam as contas. Mercados são vasos comunicantes, sempre foi melhor comprar MT e vender Paraná ou Rio Grande fazendo-se as contas.

A demanda não crescerá exponencialmente, entretanto, estou certo de que crescerá em alguns anos numa cadência real e mais lenta do que o esperado, mais ou menos cerca de cinco anos. O Brasil tem habilidade para ser celeiro do mundo, muita terra a entrar em produção (essas, por exemplo, onde estão alojados os 50 Milhões de cabeças de gado em pecuária intensiva que irá para o semiconfinamento, são milhões de hectares assentados há décadas sem que tenhamos que derrubar uma arvore sequer.

Teríamos então o equilíbrio oferta/procura no Estado do Mato Grosso? Muito provavelmente não, pois como se divulga, a produção atingiria 50.000.000tons até 2030. Em 2025 estaríamos moendo com as reservas de mercado feita pelas multis 9.000.000tons de milho no Estado, além dos inúmeros produtores pecuaristas com as suas pequenas fabricas próprias, tipo um eldorado, que o mercado e o futuro corrigirão. Custo e mercados, falarão mais alto. Essa como qualquer outra não é uma indústria para amadores, mas um negocio sério, complexo e real, com muitas variáveis a serem levadas em conta.

O DDGS não concorre com o milho, pois este é básico para energia em qualquer formulação de ração, concorre com a proteína, e certamente a demanda da suinocultura hoje com 10.000.000 de cabeças no MT crescerá, e, o DDGS disputará com o farelo de soja, farelo de caroço de algodão sem gossipol (eles monogástricos não sobrevivem a toxidade) e outras fontes. A preferência é maior pela qualidade intrínseca para o farelo de soja, entretanto hoje no MT faltam fábricas modernas e atuais no Norte, exportar matéria prima é contraproducente, sendo o Brasil o único país do mundo que subsidia a industrialização em outros países e o nosso produtor herói ainda é taxado na produção.

A avicultura crescerá muito também, temos caroço de algodão hoje maltratado e descartado, isso muda e dessa forma progresso a todos. Ao contrário do passado distante, do porquinho branco e preto, o suíno atual é o animal mais delicado e exigente que existe, assim acabou o tempo em que eram alimentados com lavagem, nos dias atuais certamente ficariam doentes e morreriam.

Enfim uma coisa puxa a outra, e, haverá uma revolução nessa agroindústria e ao final é melhor produzirmos e exportarmos proteínas animal quanto mais distante dos portos estivermos do que matéria prima. Trens, estradas, barcaças, teremos neste bom governo, mas não alteram esta lógica, e em termos de política fiscal e tributária, e os Estados terão uma arrecadação maior direta e indireta, incentivando e não taxando a industrialização, e todos ganharão mais e com maior geração de empregos e bem-estar social.

Tudo é relativo, temos que olhar para o mundo: hidrovias, ferrovias excelentes, portos fantásticos, sem taxação à agricultura, pelo contrário subsídios, pois cada dólar gerado no campo multiplica-se mais de 12 vezes na Economia. Meu professor Ray Goldberg de Harvard mostrou que seriam 99 vezes. Basta verem o Brasil que deu certo e paga a conta, para que Governos parem de querer matar a galinha de ovos de ouro.

Verdades: se o milho caminha para Santos o DDGS também poderá caminhar pari passu, porém, infelizmente há produção concorrente nesses destinos a preços menores. A produção de R$ 16,00/saco é igual em todo lugar, se não for menor, assim há uma oferta grande do Triângulo Mineiro, Sao Paulo e Paraná, demanda local para com grandes frigoríficos, bacia leiteira, equinos, suínos, aves, enfim a grande produção e demanda e o grande consumo interno desses Estados populosos e ricos em renda per capita, em logística a custo bem menor, boa em infraestrutura, perto de portos, e bem servidos. Porque pagariam mais pelo milho mato-grossense se há a preços de 20% menores nessas áreas `?

Há ainda mais de 350 Usinas de Açúcar e Álcool , a maioria em dificuldade econômica, embora muitas com crédito e credibilidade, em números, mais de 25 Usinas, que poderiam construir usinas de Etanol de Milho associadas às usinas atuais produzindo um etanol a um custo PVU de R$ 0,70/L que numa base de 50/50% com produção da Usina custo menor do que R$ 1,40/L; para as usinas mais eficientes, representaria que se moa, digamos, 4.000.000mt/cana de açúcar/180-210 dias, uma produção de 250.000m3 de etanol, se somarmos 250.000m3 de etanol de milho que aproveite as mesmas fontes da Usina de produção de energias termelétricas, destilaria, e outros equipamentos parados, com sobra de bagaço, aqueles que tiverem colunas a vácuo e ou turbo condensadores para o processo associado, teremos uma margem média de R$ 0,42/L x 500.000m3 = R$ 210.000.000,00 que significa o pagamento em payback descontado em menos de 1,5 anos, pois o CAPEX não excederia a R$ 230.000.000,009 chaves em mãos e com capital de giro para operar.

Esse artigo tem por objetivo reafirmar que nunca deveremos ignorar o mercado para os produtos, o investimento industrial é a decisão mais simples, produção existente e incentivará o aumento de produção, porém o mais difícil é o mercado. Os americanos que o digam com suas usinas que perigaram graças a diminuição de demanda com o fato de que a partir do xisto e de reservas de petróleo a América tornou-se autossuficiente num mercado menor. Há mercados, não se preocupem, como E85 na Europa; o E10 na China, enfim há demanda para o etanol, afinal não polui e faz bem ao meio ambiente e os processos estão cada vez mais evoluindo a fim de diminuírem a poluição ambiental gerada pela queima de eucaliptos, em síntese estamos caminhamos bem e este é o futuro. Não vamos achar que somos únicos e donos do mercado. A Economia bem como a de Mercados, são vasos comunicantes, em função do local e dos custos. Temos que olhar o mercado com uma visão de 360° e neste campo com um olho no bolso e o outro na politica.

Vamos para São Paulo, Paraná, Nordeste, Rio Grande do Sul, também? Melhor nos pampas ou nos cerrados? Façam as contas. Lanço aqui uma provocação!

Há ainda a considerar o efeito manada que indica quando um líder faz uma coisa, outros o copiam, mas por vezes quebram, todavia, problemas de poluição em Sao Paulo e Paraná demanda que é necessário ponderar outras alternativas tais como: produção de metano. Esta é bem melhor, capex menor e de resultados melhores, há a cana, energia essencial, que qualquer usina entende que com ATC a 10% produzirá 54L/ton. de etanol por tonelada processada, guardando-se para quem não tiver suficiência de bagaço, o bagaço para ser processado na mesma entressafra de cana. Há dezenas de equipamentos disponíveis para forma e recuperação a ótimos custos, enfim, o prato está à mesa.

Por Antônio Iafelice e José Marcos Lorenzetti

 


Fonte: Antônio Iafelice e José Marcos Lorenzetti