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Etanol deve recuar 1,8% e açúcar subir 12% na safra 2019/2020 no Centro-Sul, aponta consultoria

Mesmo com produção menor, combustível derivado da cana encontra cenário favorável com valorização do dólar e elevação da gasolina.

As usinas da região Centro-Sul do país devem produzir 12,03% mais açúcar e recuar 1,82% na produção de etanol, segundo projeções divulgadas nesta quarta-feira (13) na Conferência Santander Datagro, evento que antecipa as expectativas da safra 2019/2020 realizado em Ribeirão Preto (SP).

De acordo com os números divulgados no evento, a safra 2019/2020 deve ter um aumento de 1,39% na moagem da cana, saindo de 575 milhões de toneladas para 583 milhões de toneladas.

As indústrias devem processar 29,7 milhões de toneladas de açúcar a partir de abril deste ano, contra 26,7 milhões obtidos no ciclo 2018/2019.

O resultado deve elevar para 38,8% a participação do produto nos negócios do segmento, que nos últimos anos perdeu espaço a cadeia produtiva em função de fatores externos como a baixa lucratividade no mercado internacional.

"A nossa indicação é de que deve haver um mix um pouco mais açucareiro, mas nem de perto tão açúcareiro como na safra 2017/2018", afirmou Plinio Nastari, presidente do Datagro, consultoria agrícola independente que promove o evento pela terceira vez.
O etanol segue como o principal investimento das usinas, mesmo com uma projeção de queda em relação à safra passada. Ao todo, devem ser produzidos 32,3 bilhões de litros, uma baixa de 600 milhões. O volume total inclui 1,15 bilhão de litros de etanol de milho, que ganha destaque em estados como o Mato Grosso.

Diante de perdas do mercado de petróleo e da valorização do dólar, que elevou o preço da gasolina nas refinarias, o mercado para consumo do combustível derivado da cana segue favorável e até 2020 as usinas podem ampliar sua capacidade de produção em 4 bilhões de litros.

O cenário de reformas políticas e econômicas em discussão no governo federal, além de expectativas em relação a programas de incentivo a fontes sustentáveis de geração de energia, como o Renovabio, geram otimismo aos empresários.

"O setor sucroenergético sem dúvida passa por um momento extremamente peculiar. De um lado há um consenso absoluto de que o Brasil precisará resolver seus problemas macroeconômicos sob pena de nos colapsarmos nosso processo econômico e consequentemete os setores de uma maneira geral. Há uma voz corrente do setor que quer conferir sustentabilidade social e política aos planos macroeconômicos", disse o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gussi.

Vice-presidente do Santander Brasil, Mario Roberto Ópice Leão destacou o interesse do mercado financeiro em investir em inovações voltadas para o campo. Segundo ele, de R$ 35 bilhões investidos pelo banco nos últimos anos no setor agropecuário, R$ 8 bilhões foram destinados a usinas de cana e açúcar.

"Pra gente ainda é muito pouco. Estamos só começando. Queremos muito mais e obviamente contamos com a vontade do empreendedor que está aqui que queria crescer", disse.

 

 

 

 


Fonte: Portal G1