Clipping

Etanol: oferta de safra, gasolina competitiva e demanda menor por combustíveis de cereja do bolo

Postado em 23 de Março de 2020

As compras de combustíveis já caíram bastante antes mesmo de as restrições de circulação ficarem mais duras e, segundo o órgão regulador nacional (ANP) falando à Reuters, alguns postos relataram recuo de até 50% nas vendas. Abril e maio, no mínimo, deve piorar com o etanol de safra nova (início 1º de abril) entrando e gasolina tendendo a ficar mais barata pelo petróleo sem nenhuma sustentação.

Cai o consumo nas bombas para todos os combustíveis, mas para a cadeia do etanol o cenário fica mais complicado, avalia Martinho Ono, CEO da SCA Trading.

O biocombustível já vinha em queda de preços antes mesmo do início de safra – recuou mais de 13% na semana passada, com o litro a R$ 1,6 segundo o Cepea/Esalq – e se a Petrobras (PETR3; PETR4) mantiver sua política de cortar preços do hidrocarboneto em linha com a queda do barril do Brent, a competitividade ficará mais corroída.

Além da oferta de safra, haverá a concorrência adicional da gasolina e, como cereja do bolo, menor consumo. “O Ciclo Otto (motores a combustão) vai cair muito com a menor demanda, menos que o Ciclo Diesel”, avalia Ono.

“A hora que a chegar tudo na bomba, vai piorar junto com a procura baixa”, reforça.

A cotação do petróleo em Londres cai mais um pouco, em torno de 4,89%, e ao redor das 12h55 (Brasília) vinha a US$ 25,72. O WTI, referenciado nos Estados Unidos, igualmente anda para trás: -3%, US$21,94.

Quantificar o problema não há como pela própria instabilidade das próximas semanas e o tempo que isso pode levar. A contabilidade setorial é só de curto-prazo, como a própria BR Distribuidora (BRDT3) deixa transparecer em seu boletim concluindo pela redução do fluxo de combustíveis no País.

E jogar mais açúcar no mercado, transferindo matéria-prima que iria para etanol, também não deverá ajudar para a commodity que ainda não foi fixada da safra 20/21, entre 30% e 40%. A maior oferta brasileira já esperada pelo mercado, diante dos efeitos da pandemia, derretem os preços. Nesta abertura de semana vem tendo um moderado ajuste técnico de 0,82%, com a libra-peso em centavos de dólar a 11, 11, mas sem tendência de alta consistente.

Por Giovanni Lorenzon


Fonte: Money Times