Clipping

EUA dão ao Brasil cota extra de açúcar

Postado em 23 de Setembro de 2020

Os Estados Unidos concederam ao Brasil um volume adicional de 80 mil toneladas em sua cota de importação de açúcar com tarifas reduzidas para a temporada 2019/20. Embora o volume represente apenas 0,3% das exportações brasileiras de açúcar nos últimos 12 meses, foi o suficiente para o presidente Jair Bolsonaro comemorar a medida como um “primeiro resultado” das negociações com os americanos para compensar a cota de importação de etanol.

No início de setembro, o governo americano decidiu que ampliaria a cota de importação de açúcar em 90,718 mil toneladas diante da escassez da commodity no país. Foi o segundo aumento nesta safra, que enfrenta baixa oferta global.

Nesta segunda-feira, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) atribuiu ao Brasil a maior parcela dessa cota adicional, e o restante à Austrália. A decisão deverá ser publicada hoje no Federal Register, o Diário Oficial americano.

Nas redes sociais, Bolsonaro comemorou: “Trata-se já do primeiro resultado das recém-abertas negociações Brasil-EUA para o setor de açúcar e álcool, conduzidas no Brasil pelo MRE e nos EUA pelo USTR”, postou. Por lei, a cota é usufruída exclusivamente pelos produtores do Nordeste.

A atribuição preferencial ao Brasil ocorre logo após o governo brasileiro conceder 90 dias de cota de importação de 187,5 milhões de litros de etanol isenta de tarifa, em um movimento que pode ajudar Donald Trump nas eleições nos EUA.

Segundo Bolsonaro, com a cota extra de açúcar o volume total ao qual o Brasil passou a ter o direito de exportar aos EUA com tarifa menor nesta safra chegou a 310 mil toneladas, ante 230 mil anteriormente. Esse benefício não será válido para as próximas safras.

As usinas brasileiras, por sua vez, ressaltaram que ajustes na cota dos EUA são de praxe e que a cota extra ao Brasil foi concedida porque o país é o principal exportador da commodity. Além disso, afirmaram que o volume “é consideravelmente inferior à cota mensal de etanol” recém-aberta, segundo nota da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) e do Fórum Nacional Sucroenergético.

Se não houver novas concessões por parte dos americanos, a cota adicional de açúcar deste ciclo está, em tese, longe de compensar o benefício temporário concedido aos EUA com a cota de etanol.

Caso o Brasil exporte todo o volume de açúcar previsto na cota adicional, a receita extra dos exportadores brasileiros deverá ser de US$ 23 milhões. Já os Estados Unidos, se aproveitarem toda a cota brasileira de importação de etanol sem tarifa válida até meados de dezembro, podem obter uma receita ao menos três vezes maior. Mas analistas não acreditam que a cota de etanol neste momento incentivará grandes importações.

Os Estados Unidos concedem a cota de importação de açúcar por imposição de um acordo na Rodada do Uruguai da Organização Mundial do Comércio (OMC). O volume mínimo que os americanos devem importar com tarifa reduzida é de 1,117 milhão de toneladas.

 


Fonte: Valor Econômico