Clipping

EUA fechará 30 plantas esmagadoras de milho para etanol com crise no petróleo e coronavírus

Postado em 1 de Abril de 2020

Crise está ainda longe da contenção e produtor já teme atrasos no plantio por dificuldade na distribuição de insumos. Na soja, produtor já contabiliza prejuízos, diante dos atuais referenciais no novembro em Chicago e com custos medianos, US$ 50 a US$ 100 por acre

Informações apuradas pelo Notícias Agrícolas com a ARC Mercosul dão conta de que nesta quarta-feira, 1º de abril, 30 plantas processadoras de etanol de milho serão fechadas nos EUA. A decisão chega em meio a uma crise nos preços do petróleo, uma guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita e, claro, a pandemia do coronavírus. 

A decisão foi tomada por um grupo de indústrias em reunião na tarde desta terça-feira (31), e o fechamento é temporário, durante a quarentena, até que as margens melhorem. 

"A guerra das energias - entre Rússia e Arábia Saudita - disparou uma crise no setor de petróleo, que passou para a gasolina, que passou para o etanol. E com toda essa depreciação nos preços dos combustíveis, as empresas que esmagam o milho para a produção de etanol e outros derivados começaram a ter margens negativas, prejuízos", explica Matheus Pereira, diretor da ARC. 

E um dos maiores grupos processadores de milho para etanol dos EUA, ainda como relata o executivo, já vinha contabilizando um prejuízo de cerca de US$ 2,60 por bushel do cereal processado para a produção de etanol e derivados. 

"Então, infelizmente, se tornou inviável, com essa guerra das energias, a manutenção do esmagamento de milho. E o que fomentou essa aceleração da depreciação de preços foi o coronavírus, que colocou as pessoas em quarentena e reduziu o consumo de etanol, além destas processadoras terem que colocar seus recursos humanos também em isolamento", explica. 

SAFRA 2020/21

EUA: Agressividade do coronavírus compromete distribuição de insumos e pode atrasar plantio

Os Estados Unidos se tornaram o novo epicentro da pandemia do coronavírus prestes a dar início efetivo à safra 2020/21 e as preocupações entre os produtores começam a crescer. Já tem sofrido nos últimos anos com outros percalços como clima severamente adverso e a guerra comercial com a China, os desafios agora se renovam, com variáveis jamais vistas. 

Os EUA já contabilizam 164 mil casos confirmados e o número de mortes passa de 3 mil. "Apesar de todo o país estar em uma quarentena geral, a doença está longe de uma contenção. Muitos produtores já relatam inúmeras preocupações com a cadeia produtiva por lá", diz Pereira. 

A consultoria é, originalmente, norte-americana e os relatos indicam que há regiões produtoras no Delta do Mississipi que já estão iniciando o plantio do milho, como tradicionalmente acontece, e em mais alguns dias isso deveria chegar ao sul do Corn Belt. 

"E a maior preocupação que os produtores relatam é a distribuição, os insumos estão sendo muito mal distribuídos. O coronavírus hoje nos EUA está em uma fase mais avançada, a quarentena está mais afetiva, e então toda a distribuição de insumos está comprometida devido a falta de recursos humanos", explica Pereira. 

Assim, o cenário se desenvolve no início de um mês que é determinante para o plantio do milho no país. "Não só essa preocupação, mas também o produtor se preocupa em buscar culturas mais baratas. Assim como em qualquer lugar do mundo, quando ele opta pelo milho ele opta por uma cultura mais custosa. Apesar da tradição, o milho é uma cultura mais cara, e então, entre soja e milho, ele deve optar pela soja", complementa o diretor da ARC. 

O que deverá ser monitorado a partir de agora é se o produtor conseguirá migrar de uma cultura para outro. "Essa troca de planejamento em cima da hora exige um pouco de atenção. Não sabemos se o produtor vai conseguir fazer isso efetivamente, mas essas questões estão sendo levantadas", diz o analista. 


Fonte: Notícias Agrícolas