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EUA mantêm previsão de importação de etanol de cana em 2019

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) apresentou uma proposta de mandato de biocombustíveis para 2019 com volumes maiores do que os estabelecidos para este ano, mas estimou que o volume de etanol de cana-de-açúcar, importado basicamente do Brasil, deve continuar em 100 milhões de litros. A agência receberá comentários sobre a proposta até 17 de agosto.

A proposta foi apresentada na terça-feira passada, 26 de junho, e passará por uma audiência pública nos EUA no próximo dia 18, em Michigan.

A EPA propôs um aumento de 3% no volume de mistura obrigatória de combustíveis renováveis para o país em 2019, de 19,88 bilhões de galões, frente os 19,29 bilhões de galões de mandato vigentes para este ano.

O aumento do mandato em relação a 2018 deve vir do maior volume de biocombustíveis considerados “avançados” — entre os quais se encaixa o etanol de cana brasileiro —, e não dos “convencionais”, categoria em que se encaixa o etanol de milho americano.

A EPA propôs manter o mandato para os biocombustíveis “convencionais” em 15 bilhões de galões para o próximo ano e elevar o mandato para os “avançados” para 4,88 bilhões de galões. O volume obrigatório vigente para esta categoria é de 4,29 bilhões de galões.

Dentre os biocombustíveis “avançados”, a EPA elevou o mandato para os biocombustíveis celulósicos — produzidos não a partir de culturas agrícolas, mas de biomassa, como palha de milho ou de cana. O mandato de 2018 para este tipo de combustível é de 288 milhões de galões, e a EPA propôs elevar essa obrigatoriedade para 381 milhões de galões.

Já para o biodiesel, outro tipo de biocombustível “avançado”, o mandato para 2019 já está fixado em 2,1 bilhões de galões e não pode ser alterado porque já foi estabelecido no ano passado. Mas a EPA já propôs um mandato de biodiesel para 2020 que é maior do que atual, de 2,43 bilhões de galões.

Se não forem considerados o biodiesel nem os biocombustívei celulósico, o espaço para os demais biocombustíveis “avançados” (como o etanol de cana) dentro da nova proposta da EPA é de 2,399 bilhões de galões — maior do que o volume deste ano.

No entanto, em relatório com detalhamento da proposta, a EPA preferiu manter sua previsão para as importações de etanol de cana em 100 milhões de galões, mesmo volume previsto para este ano. A agência considera que o aumento do mandato para os biocombustíveis “avançados” pode criar um estímulo à importação do etanol de cana, mas argumenta que a limitação do percentual de mistura do etanol à gasolina em 10% (E10) e a falta de competitividade do etanol de cana ante o de milho criam “desincentivos” para essa importação.

A EPA ainda menciona que as importações de 2017 ficaram em 77 milhões de galões, abaixo dos 200 milhões de galões previstos para aquele ano, e que os volumes sempre ficaram abaixo de 100 milhões de galões desde 2014. Em 2013, porém, os UA importaram mais de 300 milhões de galões de etanol de cana, de acordo com dados apresentados no documento da agência.

Segundo a agência, o volume real de etanol de cana a ser importado deve variar de acordo com a safra brasileira de cana, os preços internacionais do produto, a política americana para a mistura de etanol à gasolina, a competitividade ante o etanol de milho e a tendência do mercado de açúcar.

Neste ponto, a EPA afirma que a produção brasileira de etanol pode ser prejudicada por um estreitamento da relação entre oferta e demanda globais de açúcar e cita uma redução da produção. No entanto, para as safras internacionais 2017/18 e 2018/19, todas as estimativas de mercado indicam que haverá superávit.


Fonte: Valor Econômico (03/07)