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EUA veem US$ 4 bi em exportações agrícolas do país em ´risco´ por causa do acordo UE-Mercosul

Postado em 8 de Janeiro de 2021
Os Estados Unidos têm US$ 4 bilhões em exportações agropecuárias que podem ser afetadas em alguma medida pelo acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, de acordo com análise do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura do país (FAS/USDA). O acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais.

Um dos produtos americanos que podem ser prejudicados é o etanol, que tem 28% de participação nas importações da União Europeia, segundo o órgão americano. Entre 2015 e 2019, a fatia de mercado do etanol americano no mercado europeu ficou, em média, em 22%, enquanto a do etanol do Mercosul ficou em 7%.

Com o acordo com a UE, o Mercosul terá uma cota isenta de tarifa para 570 milhões de litros de etanol para uso industrial e 253 milhões de litros de etanol para outros usos, incluindo combustível. O FAS observa, porém, que outros países também exportam etanol ao bloco europeu, e que não se sabe, por enquanto, quais países exportadores serão os mais afetados.

Já as exportações americanas de carne não devem ser muito afetadas, na avaliação do órgão, porque os EUA também fizeram recentemente um acordo bilateral com a UE que aumentou a cota de importação de carne americana no bloco europeu. Pelo acordo bilateral, a cota para a carne americana começou em 2020, com 18,5 mil toneladas, e crescerá progressivamente até 35 mil toneladas em 2026.

Além disso, as cotas da UE para os EUA e para o Mercosul têm diferenças por produtos, o que reduz os impactos aos americanos, segundo o órgão.

Já na abertura de mercado que o Mercosul promoverá aos produtos agrícolas da UE, o impacto para as exportações americanas deve ser mais pulverizado entre diferentes itens com valor agregado, como produtos intermediários (enzimas e glúten, por exemplo), preparados alimentícios, produtos lácteos, ração e vegetais processados.

Apesar de os EUA e da UE terem produtos similares nas categorias de ingredientes, preparados e processados que exportam aos países do Mercosul, o órgão americano vê dificuldade dos países do bloco sul-americano em substituir produtos de uma origem por outra, dependendo da especificidade das mercadorias.

O Serviço Agrícola Estrangeiro americano também considerou que o acordo entre UE e Mercosul inaugurou um precedente importante ao reconhecer 350 indicações geográficas de produtos europeus, o maior acerto comercial já feito envolvendo o tema. O princípio de precaução --- contra questões sanitárias e humanas --- também é visto pelos EUA como uma vitória da diplomacia europeia, que pode ser aplicado em outras negociações em curso pelo bloco.
 
 

Fonte: Valor Econômico