Clipping

Excesso de chuvas no plantio exige preparo para controlar a broca da cana

Postado em 26 de Setembro de 2019

A praga mais temida nos canaviais aparece com maior frequência a partir de setembro. Aplicação do inseticida correto é fundamental para o sucesso da safra

Foi um ano atípico para os canavicultores de Mato Grosso. Março, abril e maio são tradicionalmente meses de semeadura para quem cultiva a cana-de-açúcar no sudoeste do estado. Neste ano, choveu demais no período e o plantio se estendeu até o mês de junho. A precipitação hídrica fora de época deve diminuir a produtividade nos canaviais.

“Não tem jeito, essa chuva toda vai ter como consequência uma quantidade menor de toneladas por hectare no próximo ano”, lamenta Normando Corral, produtor rural do município de Denise, em Mato Grosso.

Se quanto ao clima não há o que fazer, a hora é de pensar na manutenção e defesa das lavouras. Com a proximidade da chamada “época das águas”, uma inimiga natural reaparece e é sempre motivo de apreensão por parte dos canavicultores. A broca tem potencial muito grande de destruição e qualquer descuido pode ser fatal.

Corral explica que a maior incidência é no período das chuvas, mas que ela pode atacar na época da seca e durante a colheita, quando ainda tem cana brotando também. Para ter um controle maior, o produtor rural combina a aplicação de inseticidas ao controle biológico. “O ataque químico é mais rápido e, se você não agir com precisão, num piscar de olhos, pode perder a lavoura”, alerta o canavicultor.

Manejo integrado

De acordo com o gerente de cana da Syngenta, Leonardo Pereira, a combinação de agentes químicos e biológicos é a melhor maneira de combater a broca da cana. “A broca é controlada de forma conjunta com o defensivo e a biotecnologia. Precisa usar os dois porque o produto pega a praga até um determinado momento fora do colmo. Depois que entra no colmo o trabalho é com o controle biológico desempenhado pela vespa”, afirma.

Para quem utiliza essa prática, o manejo integrado ideal acontece com agroquímicos que proporcionem proteção e segurança na lavoura, principalmente na fase de emergência da cultura. A quantidade de pulverizações vai depender do nível de infestação, podendo chegar a três aplicações.

A escolha do produto é muito importante. De preferência, com ação rápida e um longo residual, adaptado a uma janela maior, com timing de pulverização. Dessa forma, o controle não fica limitado às lagartas de um centímetro e o produtor diminui a margem de erro, tendo menos chance de perder a aplicação.

A seletividade também deve ser levada em consideração. Um inseticida que seja seletivo não só aos inimigos naturais, mas a toda microfauna da lavoura como insetos e aranhas, faz toda a diferença para o ambiente produtivo.

Período crítico

A fase de maior incidência da broca, atraída pela umidade, ocorre entre os meses de outubro e março. O monitoramento nesse período deve ser dobrado. “Assim que cortou a cana e ela começa a brotar, já tem que estar em cima para fazer o controle”, afirma o engenheiro agrônomo Leonardo Pereira.

O canavicultor Normando Corral segue todas essas recomendações e espera colher 280 mil toneladas nos 4.000 hectares que planta no Cerrado. “A cultura nesta safra está se equilibrando e os preços podem ser bons”, afirma.

O sucesso ou o fracasso dos produtores no combate à broca da cana-de-açúcar afeta diretamente o rendimento nas usinas. Quando a broca ataca, não são apenas os produtores que perdem produtividade e diminuem a renda. A indústria também sente os efeitos nocivos da lagarta, pois a cana afetada pela broca resulta numa qualidade inferior, tanto de açúcar quanto de etanol.

 


Fonte: Syngenta