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FCStone vê entrega recorde de fertilizante no Brasil em 2020, mas reduz projeção

Postado em 28 de Maio de 2020

As entregas de fertilizantes aos agricultores do Brasil foram estimadas nesta quinta-feira em patamar recorde de 36,6 milhões de toneladas em 2020, alta de 1% ante 2019, com o setor de grãos impulsionando as aplicações, estimou a consultoria INTL FCStone.

Contudo, a FCStone reduziu previsão de entregas ao consumidor final do Brasil em 300 mil t na comparação com a estimativa inicial, citando uma situação menos favorável a produtores de algodão e cana, mais impactados que os produtores de grãos pela crise do coronavírus.

“Apesar de não impactar diretamente o mercado de adubos internacional, a pandemia do novo coronavírus instaurou um quadro de incerteza a nível mundial, influenciando as perspectivas de crescimento econômico de importantes consumidores do complexo NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) e insumos”, disse.

A paralisação das atividades não essenciais, adotadas por diversos governos na tentativa de conter a disseminação da Covid-19, pode impactar setores nos quais as cotações permanecem em patamares mais baixos e menos rentáveis

“Neste sentido, o nível de investimentos em fertilizantes por setores com custos de produção mais acentuados, como o cotonicultor e o sucroenergético, pode ser impactado, resultante da atual conjuntura dos preços internacionais das commodities e adubos mais onerosos no mercado interno.”

No que tange o setor de açúcar e etanol, especificamente, as recentes quedas nos preços internacionais do açúcar foram parcialmente compensadas pela forte apreciação do dólar frente ao real.

“Contudo, a receita das usinas sofre com a dinâmica do mercado de etanol, marcada por demanda arrefecida e preços baixos”, acrescentou a consultoria.

A FCStone destacou ainda que a taxa de câmbio brasileira atualmente impede que a queda das cotações internacionais do complexo NPK seja repassada completamente para o âmbito doméstico, “chegando a alterar a trajetória dos preços em semanas de desvalorização acentuada da moeda nacional”.

O Brasil importa a maior parte do fertilizante consumido. Em 2019, as importações somaram 29,5 milhões de toneladas, crescimento de 7,3% ante 2018, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

O consumo de fertilizantes no Brasil aumentou 2,1% em 2019 ante o ano anterior, segundo a Anda.

 


Fonte: Reuters