Clipping

Feplana espera contrapartida após liberação de mais etanol sem imposto

Postado em 3 de Setembro de 2019

Dos já quase 1 bilhão de litros importados pelo Brasil no ano, 920,61 milhões foram só dos EUA. Volume tem criado dificuldade para a cadeia do etanol local

Ao invés de a partir deste mês o governo federal voltar a cobrança de 20% do etanol anidro importado dos EUA e dos demais países de fora do Mercosul, revolveu liberar mais e sem contrapartidas em favor do produtor nacional. Nem mesmo o açúcar brasileiro poderá entrar no país estadunidense com a mesma facilidade ofertada, conforme era o pleito da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e da Novabio – entidade que representa as usinas do NE, parte do Centro-Oeste e do Norte do País. Pela decisão do governo, publicada domingo na Portaria 547 do Ministério da Economia, a cota de isenção de imposto do etanol estrangeiro subiu de 600 milhões de litros para 750 milhões de litros por mais um ano, enquanto a cota do açúcar do Brasil para entrar nos EUA continua bem menor, só 177,75 mil ton.

“Qual será a contrapartida que o governo nós apresentará para refazer as consequências danosas dessa medida para toda a cadeia produtiva sucroenergética nacional?”, pergunta Alexandre Andrade Lima, presidente da Feplana, órgão que representa 60 mil fornecedores de cana no Brasil. Lima, que ainda preside a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cana no Ministério da Agricultura, lembra que a 1ª deliberação deste grupo este ano foi, por unanimidade, o fim da cota de isenção do etanol estrangeiro, acolhido e defendido pela ministra da pasta, Teresa Cristina.

“A antiga cota de 600 milhões de etanol dada aos estrangeiros já vinha provocando prejuízos a cadeia sucroenergética nacional, sobretudo no mercado do NE, onde 90% das importações têm sido comercializadas, em concorrência desleal com o etanol local, este que não é subsidiado pelo governo brasileiro, como é o etanol de milho dos EUA”, conta Lima. A Feplana, por sua vez até aceitavam a prorrogação da isenção por um tempo menor que um ano ou até zerá-lo totalmente, mas, desde que os Estados Unidos oferecessem as mesmas condições para o açúcar do Brasil entrar no mercado interno deles. Lima espera que algo seja feito.

Ainda com a cota de 600 milhões de etanol, de janeiro a julho deste ano, já entrou no Brasil 982,82 milhões de litros de etanol anidro, destes, 920,61 milhões somente oriundo do país do presidente Donald Trump. Quase a totalidade desse volume foi comercializado só no NE. “Se não houver nenhuma contrapartida, ampliar a cota do etanol dos EUA sem nada em troca vai de contra o nosso produtor, em especial contra os 23 mil canavieiros do Nordeste e de seus 250 mil trabalhadores, bem como todas as usinas produtores de etanol na região. Contraria ainda a cadeia produtiva do Centro-Sul que também fornece ao mercado do NE”, frisa Lima, a espera de que contrapartidas sejas anunciadas pelo governo.

 


Fonte: ALEXANDRE ANDRADE LIMA, PRES. AFCP