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Fixação antecipada de preço de açúcar para exportação atinge nova máxima

Postado em 12 de Novembro de 2020

A Archer Consulting estima que os preços de 45% das exportações brasileiras de açúcar da próxima safra (2021/22) tenham sido fixados até 31 de outubro, e que o mesmo já aconteceu também com 11% dos embarques previstos para o ciclo 2022/23.

Algumas usinas sucroalcooleiras que reportaram seus resultados no segundo trimestre desta safra (2020/21) confirmaram que as fixações para os embarques de 2022/23 de fato estão fortes.

Foi o caso da São Martinho, que obteve preço médio de R$ 1.753 a tonelada para 100 mil toneladas pra embarque em 2022/23 até agora. Outro caso é o da Usina Coruripe, que até setembro havia fixado 23% do que deve embarcar em 2022/23 - 229 mil toneladas, a uma média de R$ 1.500 a tonelada.

As operações de hedge dessas empresas para a próxima safra (2021/22) também estão adiantadas e à frente da média estimada pela Archer Consulting. Na São Martinho, já foram fixados os preços de 700 mil toneladas a serem embarcadas entre abril de 2021 e março de 2022, ou 50% da produção de cana própria. Na Coruripe, foram hedgeados 70% do açúcar da próxima safra.

As operações de hedge estimadas pela Archer para a próxima safra já representam o maior percentual de fixação de açúcar fechado até outubro para uma safra seguinte desde que a consultoria começou a fazer o cálculo, na temporada 2012/13. Em 2016/17, quando os preços do açúcar atingiram picos elevados na bolsa de Nova York e também estimularam fixações antecipadas, o percentual de fixação para a safra 2017/18 chegou a 30%.

Os cálculos atuais da Archer Consulting foram baseados na estimativa de que 25 milhões de toneladas de açúcar serão exportadas pelas usinas brasileiras na próxima safra. Foram hedgeadas 11,25 milhões de toneladas, a um preço médio de 12,50 centavos de dólar (sem prêmio de polarização). Com o prêmio, posto no porto de Santos, o preço médio de embarque ficou em R$ 1.541,97 a tonelada.

A remuneração do açúcar em reais vem crescendo desde março, impulsionada pela depreciação da moeda ante o dólar. O câmbio médio pelo qual as usinas fixaram os preços do açúcar em reais estava em R$ 5,6277 em outubro, alta de R$ 0,2225 em relação a setembro.

Segundo a consultoria, as fixações em centavos de real por libra-peso são as mais altas em uma década.


Fonte: Valor Econômico