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Fornecedores de cana amargam prejuízo

Os fornecedores de cana para as usinas do Centro-Sul do país mais uma vez amargaram prejuízo na safra 2018/19, que terminou em 31 de março. Além de terem sido espremidos pela escalada dos custos de produção, a remuneração foi afetada pela desvalorização do açúcar, que reduziu o preço pago pela matéria-prima.

Segundo levantamento do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresa (Pecege/Esalq/USP) feito em parceria com a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) e com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em 38 polos do Centro-Sul o custo médio para produzir cana na safra passada foi de R$ 103,83 por tonelada, acima do preço médio recebido pela tonelada produzida (R$ 78).

 Mesmo considerando que nem todos os produtores têm o mesmo custo - e mesmo incluindo aqueles com a produção mais eficiente -, o resultado foi prejuízo. Pelo levantamento, o custo do produtor mais eficiente foi de R$ 83 por tonelada de cana, ainda acima do preço pago. O produtor menos eficiente, por sua vez, teve custo de R$ 125 por tonelada.

A variação entre os custos de cada produtor é determinada por diversos fatores, sendo o principal a produtividade agrícola, que na média voltou a cair. De acordo com os dados do Pecege, os produtores colheram na safra passada 77 toneladas por hectare, 3 a menos do que no ciclo anterior, fruto tanto de adversidades climáticas como da deterioração da qualidade dos canaviais.

Essa situação dá sequência à tendência da última década. Segundo nota da Orplana, em 11 anos os custos de produção da cana cresceram 177,4%. Já produtividade recuou 12,5% no mesmo período, em decorrência da intensificação da mecanização e da expansão para áreas não "domesticadas" para a cana, segundo a entidade.

De acordo com o estudo, dois terços dos produtores do Centro-Sul tiveram na safra passada custo acima de R$ 100 por tonelada.

As contas, porém, não incluem eventuais remunerações adicionais que algumas usinas oferecem aos produtores, para além do valor do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol de São Paulo (Consecana). Até a safra passada, não havia regras para as bonificações, mas o conselho aprovou no fim de março um novo modelo, vigente a partir do ciclo atual (2019/20), que prevê a obrigatoriedade do pagamento de "prêmios" conforme a qualidade da matéria-prima.

A qualidade será auferida de acordo com a pureza do caldo da cana, que aumenta o rendimento da matéria-prima na indústria.

O novo modelo também prevê bonificações adicionais que reflitam "eventuais particularidades de uma determinada região produtiva ou que visem ao ganho de eficiência e produtividade", explicou a Orplana, em nota. Esses ganhos podem estar atrelados, por exemplo, à distância entre fornecedores e indústrias ou ao nível de demanda por cana.

A câmara técnica do Consecana avaliará ainda como incluir preceitos do programa RenovaBio - em fase de regulamentação e que deve entrar em vigência em 2020 - no sistema de precificação da cana.

 


Fonte: Valor Econômico