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Fornecedores de cana de Pernambuco vão aderir ao mercado de crédito de carbono

Postado em 13 de Maio de 2020

Os fornecedores de cana da Pernambuco e Paraíba vão aderir ao mercado de crédito de carbono (CBios) do Programa Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) , que permite que toda a cadeia produtiva de combustíveis de base vegetal (etanol e biodiesel) lucre com os chamados créditos de carbono, negociados na Bolsa de Valores (B3), sediada em São Paulo, e no mercado internacional. Para isso, os fornecedores de cana terão que adaptar seu processo produtivo em busca da certificação ambiental. Da plantação à entrega da matéria-prima às usinas, o produtor deverá se preocupar em reduzir a emissão de gás carbônico, causador do efeito estufa.

O presidente da Associação de Fornecedores de Cana de Pernambuco, Alexandre Andrade Lima, diz que será lançado um selo de certificação de sustentabilidade, a fim de conferir a qualidade socioambiental da cana. “O selo se chamará ProAR e será fornecido por uma consultoria ambiental que também dará assistência aos fornecedores capacitando o produtor a produzir com menos poluição, como por exemplo, utilizando adubos nitrogenados e racionalizando o transporte por caminhões”. Alexandre Lima acredita que com a venda dos créditos de carbono o produtor deverá aumentar seu faturamento anual em torno de 10%.

O trabalho de certificação de boas práticas de sustentabilidade no processo produtivo da cana em Pernambuco e na Paraíba ficará a cargo da Associação do Centro Interdisciplinar de Pesquisa em Educação e Direito. Em nota, o diretor executivo da empresa, Clyneson Oliveira falou sobre o momento oportuno da parceria no quesito socioambiental e para os negócios dos agricultores. “O mercado de crédito de carbono está em franca expansão e movimentou US$ 897 bilhões no mundo, o que mostra parte do potencial de agregação de valor que pode ter o setor canavieiro”.

Pernambuco é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar do Nordeste, mas é o primeiro em número de fornecedores, são cerca de sete mil engenhos, a maior parte de micro e pequenos produtores oriundos da agricultura familiar. “Todos podem participar do mercado de crédito de carbono, desde que siga as regras para conseguir a certificação. Acredito que ainda este ano teremos os primeiros engenhos certificados, mas só em 2021 é que entraremos na fase de negociar os créditos de carbono na Bolsa de Valores, projeta Alexandre.

As usinas também esperam avidamente pelo início da geração desses créditos no Brasil. O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçucar-PE), Renato Cunha, diz que cinco usinas em Pernambuco já possuem a certificação ambiental e outras seis estão em processo de certificação. “Todas as usinas estão trabalhando muito por essa certificação. Até o final desse ano devem acontecer as primeiras transações, é uma forma de compensação ambiental e de remuneração a cadeia produtiva dos combustíveis mais limpos.”


Fonte: JC NE