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Francesa Tereos considera buscar parceiro em meio a baixos preços do açúcar

A francesa Tereos, diante dos preços internacionais do açúcar em patamares historicamente baixos, está considerando oferecer uma participação a um parceiro internacional, já que o grupo busca construir mercados no exterior, disse a empresa nesta terça-feira.

É improvável que o novo sócio seja francês ou uma cooperativa, e não seria necessariamente outro grupo de açúcar, disse o presidente-executivo Alexis Duval à Reuters antes de anunciar os resultados.

A Tereos, que se tornou a segunda maior produtora de açúcar do mundo na última temporada, ao impulsionar a produção após o fim das cotas da União Europeia no ano passado, está enfrentando uma queda acentuada nos preços do açúcar devido ao excesso de oferta.

"Hoje a diversificação e a internacionalização não são uma opção para grupos como o nosso. Neste contexto, estamos lançando um estudo que poderá nos levar a abrir o capital da Tereos para atores externos que não cooperativas", disse Duval.

Ele disse que o grupo acaba de começar essa avaliação e que uma mudança no capital, que poderia tomar a forma de uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), não ocorrerá nesta temporada. Ele disse que o grupo ainda não entrou em contato com nenhum parceiro em potencial.

"O mercado de açúcar está ficando mais internacional estruturalmente", disse ele, acrescentando que há um número crescente de clientes no exterior.

A Tereos listou anteriormente operações de processamento de cana-de-açúcar, cereais e amido na Bolsa de Valores de São Paulo no Brasil em 2010. Mas o negócio foi deslistado seis anos depois.

Apesar do forte aumento na produção de açúcar e amido, as vendas do grupo no ano até 31 de março aumentaram apenas 3,5 por cento em valor, para 4,99 bilhões de euros. O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 2 por cento, para 594 milhões de euros.

O grupo limitou o impacto dos preços mais baixos do açúcar graças a maiores vendas e operações de hedge, disse Duval a repórteres.

O grupo fixou suas exportações europeias de açúcar para 2017/18 a preços médios mais altos do que o mercado mundial e cobriu as exportações para metade da temporada de 2018/19, disse Duval. Um terço da produção europeia de açúcar para o período de 2018/19 também foi fixada.

A filial comercial do grupo, a Tereos Commodities, abriu escritórios no Vietnã e na África do Sul na última temporada, elevando o número de escritórios de vendas para oito. Ela comercializou quase 1,4 milhão de toneladas de açúcar, alta de cerca de 40 por cento.

A produção de açúcar da Tereos saltou 26 por cento em 2017, para 5,3 milhões de toneladas, tornando-a a segunda maior fabricante de açúcar, atrás apenas da Suedzucker, da Alemanha.

O grupo, que tem 12 mil membros, espera que o excedente na produção mundial de açúcar se estenda até o próximo ano fiscal. Os preços mundiais médios do açúcar caíram 27 por cento em 2017/18.

"Esse ambiente deve afetar os resultados previstos para a divisão de açúcar na Europa", disse a empresa.

Os resultados da divisão internacional devem se mostrar mais resilientes do que os da Europa, beneficiando-se de ganhos de desempenho e fortes preços do etanol no Brasil, onde o grupo processou um recorde de 20 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2017/18.

A divisão de amido e adoçantes teve um aumento de 11 por cento nas vendas em 2017/18, e o grupo disse que espera um aumento nos volumes em 2018/19.


Fonte: Reuters