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FS adia ‘green bonds’

Postado em 24 de Setembro de 2020

A FS Agrisolutions, maior produtora de etanol de milho do país, tentou concluir ontem uma emissão internacional de US$ 500 milhões de “green bonds”. No entanto, diante do dia difícil no mercado ontem, a demanda pelos papéis se retraiu. O Valor apurou que, atendendo a uma solicitação de um investidor comprometido em ancorar a operação, a precificação dos papéis foi transferida para hoje.

A expectativa é que o dia seja mais ameno nos mercados, o que pode melhorar as condições para a operação. A FS realizou na última semana um “road show” para se apresentar aos investidores, uma vez que esta é sua primeira emissão global. As condições inicialmente sugeridas para o papel foram vencimento em sete anos e “yield” (retorno) de 9%.

A operação tem a coordenação de Morgan Stanley, ao lado de BofA, Santander e BB Securities.

Em relatório, a Lucror Analytics observou que a FS, criada em 2017, tem um histórico operacional limitado e uma alavancagem relativamente alta - 6,2 vezes (bruta) e 4,6 vezes (líquida). A emissão dos bônus, avalia a Lucror, seria neutra em termos de alavancagem, uma vez que os recursos serão usados para pagar antecipadamente uma dívida garantida. “Mas melhorará a estrutura de capital, reduzirá as despesas com juros e ampliará o perfil de amortização da dívida”, escreveu a Lucror.

A FS surgiu a partir de uma joint venture entre a Summit, que tem ampla experiência na indústria americana de etanol de milho, e a Tapajós, uma holding brasileira focada na originação de grãos e distribuição de insumos agrícolas.

Na semana passada, a PetroRio, que também planejava uma emissão internacional, acabou cancelando o projeto. Citando condições desfavoráveis do mercado, nem sequer chegou a lançá-la, devido à falta de demanda dos investidores no road show.

Outra empresa que deverá ir a mercado nos próximos dias também estreando, de fato, no mercado global, é a Lojas Americanas.

A varejista iniciou ontem um road show com investidores. Se encontrar boa demanda e taxas, pretende captar US$ 350 milhões, em títulos de dez anos.

O prospecto da operação informa que a empresa quer refinanciar parte do endividamento de curto e médio prazo e reforçar o caixa. A Americanas busca, no mínimo US$ 200 milhões.

Conforme ata da reunião de conselho de administração da empresa, “após a construção de um histórico de mais de 15 anos no mercado local”, a Americanas quer acessar o mercado internacional de dívida como uma “nova fonte de recursos, com prazos maiores, alongando o perfil do endividamento da companhia”.

A empresa cita o bônus como mais um importante passo na estratégia de otimização de sua estrutura de capital, que traz mais flexibilidade para aceleração do desenvolvimento dos negócios. Em julho, a varejista captou R$ 7,9 bilhões e uma oferta subsequente de ações.

A operação da Lojas Americanas tem como coordenadores globais BofA Securities, BTG Pactual e Itaú BBA.

De acordo com informações de mercado, a Lojas Americanas vendeu títulos de dívida internacional por meio de uma emissão privada em meados da década de 1990. O bônus, de US$ 150 milhões, venceu em 2004 e desde então a varejista não acessava esse mercado.


Fonte: Valor Econômico