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Gestão de Custos por Claudio Belodi

Postado em 14 de Julho de 2020

A análise de custos não é uma tarefa fácil, com visão simplista em gastos e produtividade, como se preconiza. Na verdade, a conversão dos serviços e materiais na produção de qualquer bem é realizado pela interferência humana. Dessa forma, o primeiro mandamento sobre custos é entender o comportamento humano. 

Análise de rendimentos e eficiências comparativas, intrínseca aos processos ou com outras unidades, pouco valem, pois que, geralmente, não levam em consideração aspectos tecnológicos de inovação em equipamentos e processos e, muito menos, na alternância da mão de obra e na capacitação consciencial daqueles que conduzem o processo produtivo. 

No mercado consultivo há uma dissonância enorme quanto a definição de custos, a que se empregam várias caracterizações para titular o valor unitário da composição dos gastos atribuídos aos produtos. Na definição belodiana “custo é o valor monetário das mutações patrimoniais componentes por unidade de produto.” 

A boa técnica de formação dos custos recomenda que qualquer empresa possua na sua estrutura um serviço especializado na contabilização dos gastos, de forma a obter com precisão a base de formação de preços de seus produtos. É normal haver nas empresas um serviço de contabilidade patrimonial e fiscal para o regular registro das operações, entretanto, são poucas aquelas que dispõe de estrutura para conformar os custos de produção. Justamente onde a gestão carece de informações contínuas e precisas das operações, com bases seguras para a tomada de decisões, encontra-se a lacuna de informações para diagnósticos e prognósticos de trato econômico da cadeia produtiva interna. 

É temerária a tomada de decisões com base em custos gerenciais, especificamente aqueles elaborados com base em planilhas, que remetem ao achismo. Uma estrutura de custos é complexa e demandaria, para a sua compreensão, um compêndio de conceitos e aplicações. 

O custo deve ser elaborado por um sistema regular e integrado à contabilidade, respeitando os procedimentos contábeis. Os valores trasladados para as contas formadoras de custos devem refletir gastos originários nas operações, de forma a servir de: a) determinação contábil periódica do valor dos estoques – matéria prima e produtos acabados; b) permitir a formação de preços pela área comercial, ou o acompanhamento dos valores realizados comparativamente ao mercado; c) avaliações periódicas de orçamento e desvios de gastos e consumos. Numa unidade integrada de produção sucroalcooleira são três as principais naturezas de custos: i) agrícola; ii) logística; iii) industrial – cada qual com subdivisões de interesse para a gestão das atividades. 

Teoricamente se imputam várias denominações ao custo, sem que, tais alocuções sejam relevantes, salvo de redundância acadêmica. A definição mais importante e aplicabilidade é de que: CUSTOS VARIÁVEIS são alavancados pelos gastos fixos e CUSTOS INVARIÁVEIS são originados pelos gastos variáveis. Exemplo de custo variável é o dispêndio com salários que é invariável, mas pode ter influência maior ou menor, dependendo da produtividade ou volume produzido, enquanto que a matéria prima, como exemplo de custo invariável, tem seu gasto variável em razão da capacidade de processamento em determinado período. 

Dado que a economia do setor sucroenergético vem passando, há anos, imensas dificuldades econômicas e financeiras, as empresas tem atuado no controle de seus custos que, diga-se, são na maioria das vezes, meras reduções de gastos sobre essencialidades, com prejuízos operacionais, cujas decisões se refletirão nos custos futuros. Por isso, antes de se falar em redução ou controle de custos, é preciso refletir como os membros da equipe estão tratando os bens – físicos e monetários – objeto de conversão em produtos. 

Qualquer diagnose de custos que não levar em consideração análises de, estrutura organizacional, aferição dos controles, conformidade laboral, procedimentos de processo, garantia de qualidade dos serviços e produtos, influência da manutenção, custos de prevenção, rendimentos e eficiências, perdas de tempo e de processo e obediência a planos de produção e orçamentos empresariais, não passará de mera subtração de recursos que influenciarão na elevação dos custos a futuro. 

As empresas, bem como seus administradores, sabem onde estão os calcanhares, e se não acertam não fazem por falta de conhecimento, mas por ausência de pesquisas comportamentais do principal elemento de escora da atividade agro- -industrial – o homem – que é quem mira as armas no correto direcionamento de ataque. 

Por Claudio Belodi


Fonte: Assessoria