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Glifosato gera novo revés para a Bayer na Justiça

Postado em 29 de Março de 2019

Mais um júri nos Estados Unidos condenou a Bayer em um caso envolvendo o glifosato. Em decisão proferida na quarta-feira, um tribunal de São Francisco, na Califórnia, condenou a multinacional alemã a pagar US$ 80 milhões a um residente local que teria desenvolvido câncer em consequência da exposição ao herbicida.

O tribunal considerou que a americana Monsanto, agora controlada pela Bayer, agiu de forma negligente ao não alertar Edwin Hardeman sobre os riscos do glifosato, vendido com a marca Roundup. Na primeira fase do julgamento, encerrada na semana passada, os advogados do autor da ação convenceram o júri de que havia ligação direta entre o glifosato e a doença desenvolvida pelo cliente.

Na segunda fase, encerrada na quarta-feira, o júri tinha de decidir se a Bayer poderia ser responsabilizada. "A Bayer continua acreditando nesses produtos e vai defendê-los vigorosamente", informou a companhia após o veredicto – a múlti vai recorrer da decisão. A empresa também afirmou que o resultado de ontem não tem efeito sobre futuros julgamentos.

Foi o segundo caso envolvendo o Roundup em que a empresa foi condenada. Em agosto do ano passado, a Bayer foi condenada a pagar US$ 289,2 milhões ao ex-jardineiro Dewayne Johnson. O valor da indenização foi depois reduzido para US$ 78,5 milhões, mas a Bayer recorreu da decisão.

A multa de US$ 80 milhões – US$ 5 milhões dos quais para efeitos compensatórios e US$ 75 milhões para efeitos punitivos – definida na quarta-feira também deverá ser reduzida com o recurso, informou a empresa de pesquisa Bernstein Research.

"Se continuarmos a ver multas mais baixas ou a Bayer ganhando alguns dos próximos casos, o cálculo geral começa a melhorar acentuadamente", indicou a Bernstein. Em seu último balanço, a Bayer divulgou que enfrenta 11.200 processos judiciais envolvendo o glifosato. Outros seis julgamentos deverão começar neste ano em tribunais estaduais e federais dos EUA.

O mais novo caso começou ontem em um tribunal em Oakland, também na Califórnia. O caso envolve um casal de idosos, Alva e Alberta Pilliod, que alegam ter desenvolvido linfoma não-Hodgkin após décadas de uso do Roundup.

O banco de investimento Bryan Garnier destacou que, se o valor da multa de ontem for multiplicado pelos 11,2 mil casos que aguardam julgamento nos EUA, a Bayer poderá vir a ter de desembolsar mais de US$ 900 bilhões.

Com valores reduzidos por acordos, as indenizações poderão não superar os US$ 15 bilhões, conforme cálculo da instituição baseados em casos anteriores semelhantes. O Bryan Garnier baixou a recomendação da Bayer de neutra para venda. "Parece impossível investir nas ações agora", disse o banco em relatório.

Por Fernanda Pressinott

 

 

 


Fonte: Valor Econômico