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Governo brasileiro está disposto a negociar condições para importar etanol com os EUA

Postado em 4 de Setembro de 2020

O governo brasileiro deve comunicar os Estados Unidos de que está disposto a negociar as condições para o comércio de etanol, mas sem concessão para prorrogação da cota para importação sem taxação, que expirou no domingo. O setor produtivo se reuniu ontem com os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Tereza Cristina (Agricultura) e Bento Albuquerque (Minas e Energia) e o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Roberto Fendt.

Produtores e indústria pediram para que não haja renovação ou criação de cota para importação do combustível americano sem tarifa enquanto não houver uma sinalização concreta por parte de Trump para favorecer as exportações do açúcar nacional para os americanos.

Segundo o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o chanceler Ernesto Araújo quer no mínimo 30 dias de cota com isenção de tarifa para o etanol porque percebe que os EUA manifestaram a possibilidade em discutir a questão do açúcar. "O setor fez ele [Araújo] ver que basta que os americanos façam uma proposta concreta e sentamos para conversar. Não precisa qualquer prorrogação de cota", afirmou ao Valor.

"Tem que ter de parte dos EUA uma contraproposta concreta. Não somos intransigentes, mas não podemos fazer isso [renovação da cota] porque destrói o setor que levamos anos para construir", acrescentou.

A proposta de Araújo era conceder uma cota por 30 a 90 dias proporcional aos 750 milhões de litros por 12 meses acordados anteriormente. O prazo serviria para negociar uma melhor posição para entrada do açúcar brasileiro lá. Pela manhã, houve uma reunião presencial no Palácio do Planalto com representantes da Casa Civil, Agricultura e Itamaraty. O ministro-substituto, Marcos Montes, e o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Orlando Ribeiro, participaram.

No início da noite, a ministra Tereza Cristina, que está de férias, participou do encontro virtual com o setor e o restante do governo. Ficou acordado apenas de que o Brasil está aberto a negociações.

O presidente da Federação dos Plantadores de Cana-de-açúcar (Feplana), Alexandre Andrade de Lima, disse que o setor aceita conversar, mas descarta a cota neste momento. "Os EUA tiveram 12 meses para definir a questão da cota de açúcar brasileiro para os americanos e só agora, no fim da vigência da cota do etanol, eles vêm pedir prorrogação. Não negociam nada. Só pedem aumento e extensão da cota. Ninguém aceita", disse ao Valor. "Esperamos que o governo atenda os produtores locais, que estão com estoques elevados de etanol e começando a safra do Nordeste".

O Ministério da Agricultura informou que as negociações continuam e que não vai se posicionar sobre a reunião. Os ministérios de Minas e Energia e das Relações Exteriores não responderam até a publicação desta nota.

 


Fonte: Valor Econômico