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Governo chinês afirma ter interesse em importação de etanol brasileiro

Postado em 22 de Outubro de 2019

Nesta terça-feira (22), autoridades chinesas informaram ao governo brasileiro que querem estudar maneiras de importar etanol do país. Se a iniciativa vingar, pode representar um imenso mercado para as usinas no Brasil.

O assunto foi discutido durante reunião entre a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o chairman da Cofco, maior holding estatal de processamento de alimentos da China, Jun Lyu. Cristina está em Pequim para uma série de reuniões preparatórias para a visita de Bolsonaro, que chega à capital chinesa na próxima quinta-feira (24). Será a segunda parada do presidente em seu giro pela Ásia, logo após o Japão.

“Vamos montar um grupo de trabalho com representantes dos dois países para entender como isso poderia ser feito”, disse Cristina. “Eles são cuidadosos e devem começar a utilizar etanol muito gradativamente”.

Para reduzir os altos níveis de poluição em suas capitais, a China vem apostando em carros elétricos e agora também em veículos híbridos. Segundo o relato das autoridades chinesas, existe uma determinação de começar a misturar etanol na gasolina já a partir de 2020.

Não se sabe, contudo, qual seria o percentual adotado na mistura e nem se haverá uma fase de testes em alguma região do país. A China não produz etanol e os maiores exportadores mundiais, Brasil e Estados Unidos, não teriam condições de atender a uma demanda muito grande.

Parceria comercial

Antes de embarcar, Bolsonaro havia dito que o Brasil está aberto a negócios independente de posições ideológicas. A China é o maior parceiro comercial do país e, em 2018, comprou US$ 63,92 bilhões (R$ 259,3 bilhões) em produtos brasileiros, o equivalente a 26,7% das exportações totais.

O setor agrícola deve ser um dos principais focos da visita presidencial, em conjunto com a atração de investimentos. O esforço do governo brasileiro é diversificar as vendas para o país asiático, hoje muito concentradas em soja, minério de ferro e petróleo.

Segundo a Tereza Cristina, os dois países estão próximos de assinar um protocolo sanitário para a exportação de frutas. O Brasil venderia melão para a China, que, por sua vez, embarcaria pêras ao país.

A equipe técnica do ministério tenta ainda liberar as exportações de farejo de soja e de elevar o número de frigoríficos habilitados a vender para a China. Hoje, cerca de 80 unidades já têm permissão. O objetivo é conseguir mais 21.

Alguns protocolos serão assinados durante a visita de Bolsonaro a Pequim, enquanto outros só devem ser concluídos em novembro, quando o presidente chinês Xi Jiping estará em Brasília para a reunião dos BRICS.

 


Fonte: O Estado de S. Paulo