Clipping

Governo convoca reunião urgente com setor de etanol e pode anunciar renovação da cota aos EUA

Postado em 1 de Setembro de 2020

Preocupado com a pressão dos Estados Unidos, após o fim da vigência da cota de 750 milhões de litros de etanol importado livre de impostos, o governo convocou há pouco reunião, em caráter de urgência, com as principais entidades representativas do setor sucroenergético para esta terça (01), às 18 horas.

Está-se esperando que os representantes dos ministérios da Economia, Agricultura e Relações Exteriores vão anunciar a renovação por 90 dias esse limite, até que o governo de Donald Trump se disponha a discutir a reciprocidade ao açúcar brasileiro, segundo algumas fontes do setor que perceberam essa linha a ser adotada desde a manhã de hoje. Desde o aumento de 150 milhões de litros, dado em 2019, o açúcar não entrou na agenda bilateral e segue com apenas 150 mil toneladas free naquele país.

A reunião virtual foi confirmada pelos presidente e vice-presidente da Novabio, respectivamente Renato Cunha e Pedro Robério de Melo Nogueira, com a presença da Unica, que representa as usinas do Centro-Sul, do Fórum Nacional Sucroenergético, da União Nacional da Bioenergia (Udop), da Unem (etanol de milho) e da Biosul (Mato Grosso do Sul).

Ontem venceu a cota ao etanol de fora do Mercosul e está valendo a alíquota de 20%, que, então, era cobrada sobre o que ultrapasse aquele volume.

A questão do etanol brasileiro nos EUA também está pesando, sob risco de retaliação se o Brasil não renovasse a cota aos americanos ou liberasse de vez o mercado, como, inclusive, Money Times publicou mais cedo -> Leia abaixo:

Batata quente de Bolsonaro não é só o açúcar pelo etanol dos EUA, mas o renovável brasileiro também

Em 31 de agosto de 2019 expirou a cota de 600 milhões de litros ao etanol importado, livre de impostos, 90% coberto pelos Estados Unidos. E o Brasil deu nova cota, elevando em mais 150 milhões/l, justificando, então, que o governo Trump negociaria a liberação de mais açúcar brasileiro.

Nada mudou e o açúcar continuou com a parcela de 150 mil toneladas anuais, performada por até um usina média se for o caso, e, nesse momento, o governo tem uma batata quente na mão, porque, também, há a questão do etanol brasileiro naquele mercado.

A cota americana deixou de valer ontem (31), a Tarifa Externa Comum (TEC) de 20% vige para qualquer volume do biocombustível de fora do Mercosul, e o presidente Jair Bolsonaro vai ter que tomar uma decisão sob pressão do governo dos EUA, que quer o fim do sistema, mas, certamente ficaria contente se ao menos fosse renovado o lote free atual de 750 milhões/l.

Em 2019, essa cota foi moderadamente ultrapassada, mas em 2018 o País comprou 1,6 bilhão de litros. Com a crise econômica, vinda pelo novo coranavírus, se estendendo por bom tempo, os EUA querem mais mercado.

Improvável acreditar que o presidente Donald Trump aceitará muitos dias a vigência de taxas sobre seu etanol.

Renato Cunha, presidente da Novabio, nacional, e do Sindaçúcar Pernambuco, tem escutado que os Estados Unidos estariam articulando com o Brasil uma prorrogação por 90 dias desse limite. É no Nordeste que é internado a quase totalidade do biocombustível de milho e com a safra 20/21 já se abrindo em alguns estados.

As informações de Brasília, porém, são de que haverá maior contundência, desta vez, na negociação de reciprocidade para o açúcar, “cuja cota de 150 mil toneladas livre de imposto é ínfima e é seis vezes menor, em equivalência, ao o que o País beneficia o etanol de milho americano”, afirma Cunha.

Acima desse limite, há a cobrança proibitiva de US$ 340 por tonelada. Daí que o Brasil jamais extrapola essa cota, que representa aproximadamente 2% de todo o açúcar importado pelos EUA.

 


Fonte: Money Times