Clipping

Governo resiste em ‘turbinar’ Moderfrota

Postado em 8 de Fevereiro de 2019

O governo dá sinais de que não vai autorizar a ampliação dos aportes no Moderfrota caso os recursos se esgotem até o fim de março, como projetam bancos e a indústria do segmento, disse uma fonte a par do assunto. "Sem sinalização de novos recursos. Os atuais tendem a acabar até março ou, no máximo, abril", disse outra fonte, ligada a um banco. O Moderfrota é a principal linha de crédito a juros subsidiados que financia máquinas agrícolas no país.

O atual Plano Safra (2018/19), que terminará em junho, reservou R$ 8,9 bilhões para o Moderfrota, R$ 300 milhões a mais do que na temporada anterior (2017/18). Segundo dados do Banco Central, os bancos já concederam R$ 5,7 bilhões referentes à linha nos primeiros sete meses do ciclo (julho do ano passado a janeiro último). O montante representa 64% do total à disposição e representa um aumento de 45,6% em relação ao desembolsado no mesmo período do ano-safra anterior.

O Valor apurou que os bancos no momento estão processando pedidos de contratos do Moderfrota que elevam o total comprometido a R$ 7,6 bilhões. Assim, sobram apenas R$ 1,3 bilhão.

Na avaliação das montadoras de maquinário agrícola, a falta de recursos pode ser agravada com a temporada de feiras agropecuárias do primeiro semestre. Nesta semana, acontece a Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), que servirá como termômetro para a demanda por tratores e colheitadeiras, entre outros equipamentos. O Valor mostrou recentemente que a iminente falta de crédito para aquisição de maquinas têm levado os produtores a anteciparem as compras.

Questionada sobre a situação do Moderfrota, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, limitou-se a responder que "ainda tem dinheiro para a linha".

Caso de fato esgotem-se os recursos do Moderfrota, no entanto, os bancos apostam em suas linhas a juros livres, abastecidas com recursos próprios, que não contam com subsídios públicos e, portanto, têm taxas maiores. No Moderfrota, os juros variam de 7,5% ao ano para tomadores com faturamento até R$ 90 milhões a 9,5% ao ano para aqueles com faturamentos maiores.

Por Cristiano Zaia

 

 

 

 


Fonte: Valor Econômico