Clipping

Grande parte das usinas canavieiras não está pronta para as exigências da lei do enlonamento

Para o consultor Luiz Nitsch, é importante que as usinas comecem a instalar lonas nas cargas canavieiras, pois a data limite está chegando e não haverá mais prorrogações
 
A partir do dia 1º de junho deste ano será proibido que caminhões canavieiros trafeguem em rodovias municipais, estaduais e federais sem que as cargas de cana “in natura” estejam cobertas. A resolução 618 do Conselho Nacional de trânsito (CONTRAN) já era para ter entrado em vigor desde 2016, mas entidades do setor solicitaram adiamento da data, argumentando que não havia tempo hábil para inserir dispositivos que facilitem a colocação das lonas ou telas nas mais de 23 mil gaiolas em circulação no país.
 
Porém, agora não tem mais conversa. O consultor Luiz Nitsch, com informações do próprio CONTRAN, afirma que não haverá mais prorrogações, sendo que o veículo poderá até mesmo ser apreendido se pego trafegando sem a cobertura a partir de junho. “Resta muito pouco tempo para adequação e muita carga para cobrir. Dessa forma, é importante que as usinas comecem a se mexer a fim de evitar transtornos futuros”, alertou Nitsch em sua palestra no 19° Seminário de Mecanização e Produção de Cana-de-Açúcar, realizado pelo Grupo IDEA, nos dias 29 e 30 de março, em Ribeirão Preto, SP.
 
Já existem no mercado várias alternativas para o enlonamento da carga canavieira, sendo que muitas usinas desenvolveram soluções caseiras. De acordo com Nitsch, para a instalação do acessório, é imperativo que a caixa de carga esteja com suas laterais e painéis anterior e posterior alinhados e simétricos, caso contrário, o mecanismo que movimenta a lona de cobertura não funcionará adequadamente. Este acessório é composto de um par de alavancas levantadoras, acionado por um mecanismo manual, elétrico ou pneumático. “Em minha opinião, o mecanismo manual, além de ser mais barato, tende a ser mais confiável.”
 
CANA INTEIRA
 
A resolução 618, porém, é vaga com relação à modalidade de transporte de cana inteira, sistema adotado por muitas usinas e fornecedores. De acordo com Nitsch, a lona, feita de polietileno, não será viável neste caso, pois irá ser furada pelas pontas e pés da cana. “É garantido que cordas tensionadas através de catracas manuais consigam manter a carga coesa e sem quedas nas estradas. Atualmente, organizações canavieiras estão tratando deste assunto junto ao CONTRAN, sendo que devemos conseguir, em breve, mais informações quanto a essa modalidade de transporte.”

Foto Luiz Nitsch (Foto: Micaela Marques)
Luíz Nitsch: “Resta muito pouco tempo para adequação e muita carga para cobrir”


Fonte: CanaOnline