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Grupo industrial de cana do Brasil quer acesso livre de tarifas ao mercado de açúcar dos EUA

O Brasil deve buscar um acordo de cotas de açúcar sem tarifas com os Estados Unidos, semelhante à cota de etanol livre de tarifas que oferece aos exportadores norte-americanos do biocombustível, o novo chefe do poderoso grupo de cana-de-açúcar Unica.

Evandro Gussi, que assumiu no mês passado como chefe do principal lobby de açúcar e etanol do Brasil, disse em uma entrevista que se uma cota de açúcar livre de tarifas não fosse aceita, o Brasil deveria descartar o sistema atual e taxar todas as importações de etanol por um mínimo 20 porcento.

Gussi é um ex-congressista que escreveu o projeto RenovaBio, nova legislação federal para aumentar o uso de biocombustíveis que deve entrar em vigor no ano que vem.

Ele apareceu em um vídeo compartilhado entre usineiros no final do ano passado, durante a campanha presidencial do Brasil, com o então candidato Jair Bolsonaro, que prometeu na mensagem acelerar a implementação da RenovaBio.

O Brasil atualmente dá aos Estados Unidos uma cota livre de tarifas de 600 milhões de litros de etanol por ano, limitada a 150 milhões de litros por trimestre. Volumes acima disso são tributados em 20%. Esse sistema termina em agosto. Se não for renovada, todas as importações serão tributadas em 20%, a tarifa geral do Mercosul.

Em comparação, os Estados Unidos taxam o etanol brasileiro em apenas 2,5%. Uma tarifa mais alta de US $ 0,54 por galão foi cancelada em 2011.

Gussi, disse em entrevista acreditar que condições semelhantes de comércio devem ser estendidas ao açúcar, um produto fundamental para as usinas locais.

“Nossa atual cota de etanol livre de impostos é seis vezes maior do que nossa cota livre de impostos para vender açúcar para os EUA”, disse ele. “Eu acho que as cotas devem ser equivalentes.”

Os Estados Unidos já oferecem cotas de açúcar livres de tarifas limitadas, mas os volumes são muito pequenos, considerando o tamanho da produção brasileira, disse Gussi.

Bolsonaro se reunirá com o presidente dos EUA, Donald Trump, na semana que vem em Washington, e os dois líderes devem discutir o comércio bilateral, entre outros assuntos.

Gussi informou que o governo estava ciente da posição da Unica sobre cotas de açúcar. O grupo da indústria de cana-de-açúcar forneceu informações ao governo em meio a recentes ações de Brasília na Organização Mundial do Comércio para questionar políticas de açúcar em países como a Índia e a China.

O ex-congressista disse que vê as condições melhorarem para as usinas nos próximos anos, com a oferta global de açúcar oscilando de um superávit para um déficit e a perspectiva de mais uso de etanol no Brasil. “Os investimentos gradualmente retornarão ao setor”, disse ele.

 

 

 

 


Fonte: O Petróleo