Clipping

IBGE: queda na indústria de SP puxou média nacional em agosto ante julho

A perda de 1,4% na indústria paulista na passagem de julho para agosto puxou o recuo de 0,8% na produção da indústria nacional no período, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, divulgada nesta terça-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
Embora a maioria dos locais pesquisados tenha registrado avanços no mês, o parque industrial paulista representa 33% de toda a produção brasileira. Outra queda acentuada foi a do Rio Grande do Sul, também de 1,4% em agosto ante julho. Juntos, os dois Estados representam 40% da indústria nacional.
 
“Os resultados de São Paulo e Rio Grande do Sul juntos significam que 40% da indústria brasileira recuaram mais do que a média nacional”, apontou Rodrigo Lobo, analista da Coordenação de Indústria do IBGE.
 
A indústria gaúcha teve a terceira taxa negativa seguida, o equivalente a uma perda acumulada de 4,5%. “No Rio Grande do Sul, chama atenção a paralisação para manutenção de uma unidade produtiva da atividade de celulose”, justificou o pesquisador.
 
No caso de São Paulo, a indústria local vinha de quatro meses consecutivos de crescimento, período em que acumulou um ganho de 7,1%.
 
“A queda devolve uma parte do crescimento acumulado, mas não é suficiente para reverter os ganhos. O saldo ainda é positivo”, declarou Lobo.
 
Segundo o analista do IBGE, o bom desempenho de São Paulo nos meses anteriores foi muito calcado na produção de derivados de cana de açúcar, mesmo segmento que puxou a perda em agosto.
 
“Agora recua pelo fim desse processamento da cana, a migração desse processamento do Centro-Sul para o Nordeste, e também pela preferência dos produtores pela produção de álcool em detrimento do açúcar em função de preços mais atrativos”, explicou.
 
Os produtos derivados da cana – açúcar VHP, açúcar cristal, melaço de cana e açúcar refinado – representam cerca de 40% de toda a indústria alimentícia de São Paulo. Já a produção de alimentos responde por 13,3% da indústria paulista como um todo. “Por isso variações significativas nesse grupo afetam a indústria”, resumiu ele.
 
A indústria de São Paulo opera atualmente 20,7% abaixo do pico de produção alcançado em março de 2011. Segundo Lobo, houve melhora recente, embora a atividade industrial local ainda esteja muito distante do seu ponto máximo de operação.
 
“Quando a gente olha só para o ano de 2017, tem um movimento de maior quantidade de taxas positivas. Neste ano, São Paulo tem seis taxas positivas e apenas duas negativas”, ressaltou.
 
Na comparação com agosto do ano passado, a indústria paulista registrou crescimento em 12 dos 18 setores investigados, a maior disseminação entre as atividades pesquisadas desde setembro de 2013. Dos 534 produtos investigados, 56,2% tiveram crescimento. Em agosto, esse porcentual tinha ficado em 52,2%.
 
O avanço mais relevante foi no setor de veículos automotores, com alta de 35,6% na produção, a segunda maior desde o início da série histórica. O resultado foi o mais elevado desde janeiro de 2013, quando tinha crescido 39,7%. Dentro dessa atividade, 80% dos produtos mostraram crescimento na produção em agosto ante agosto de 2016.


Fonte: Estadão Conteúdo