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IBP mapeia investimento em produção de combustíveis, etanol e biodiesel

Postado em 13 de Setembro de 2019

O Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) apresentaram, na plenária de encerramento da Rio Pipeline, estudos que apontam a necessidade de expansão da malha de dutos para transporte de derivados, biocombustíveis e gás, com potencial para atrair investimentos bilionários. Caso venham a ser realizados, tais investimentos trarão um forte impacto positivo para a economia do país e geração de empregos.

Segundo estudo do IBP e da consultoria Leggio, o Brasil precisa investir R$ 88 bilhões até 2030 para assegurar o abastecimento de combustíveis diante especialmente do cenário de aumento da oferta de etanol e maior participação do biodiesel.

Desse total, R$ 12,3 bilhões estão previstos para ampliação da infraestrutura logística sobretudo de dutos, portos e terminais. Outros R$ 37,2 bilhões devem ser investidos em projetos multi-setoriais, principalmente ferrovias.

O maior volume de investimentos estimados é na implantação ou ampliação de usinas de etanol e biodiesel – R$ 38,5 bilhões. O montante é necessário para fazer frente às metas do RenovaBio, programa do governo de estímulo à produção de biocombustíveis.

Para Alberto Guimarães, secretário-executivo de Downstream do IBP, a expansão da movimentação de combustíveis por dutos, terminais e ferrovias reduz o custo do abastecimento, por serem alternativas mais econômicas do que o transporte rodoviário. “É ainda um estímulo ao investimento privado e à maior competividade no suprimento de combustíveis no país”, disse.

Segundo o executivo, o desafio para o setor é se preparar para as mudanças que os desinvestimentos da Petrobras em downstream (refino e logística) trarão para o setor, permitindo a entrada de novos atores e maior competitividade ao segmento. “Mas é preciso regras estáveis e segurança para conseguirmos atrair novos investimentos”, disse.

De acordo com o estudo, os investimentos prioritários em infraestrutura logística, destinados a evitar gargalos no abastecimento, devem reduzir em R$ 1,6 bilhão ao ano o custo de suprimento de combustíveis no país, a partir de 2030, caso sejam realizados.

O trabalho do IBP e da Leggio identificou ainda a atratividade e a viabilidade econômica de novas rotas de dutos para expansão da malha brasileira, passando pelos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Essas ampliações demandarão, sozinhas, investimentos de R$ 7,7 bilhões.

Na mesma plenária da Rio Pipeline, a Empresa de Planejamento Energético (EPE) apresentou seu plano indicativo para a expansão da malha de gasodutos do país, que prevê investimentos de cerca de R$ 17 bilhões na construção e ampliação de dutos de transporte gás natural.

O objetivo principal é interligar os novos polos de oferta de gás – que aumentará nos próximos anos com a produção crescente do pré-sal – à malha de gasodutos já existente e reforçar trechos onde já existe uma demanda potencial mapeada.

O órgão estatal de planejamento estima a necessidade de construção de 1,7 mil km de novos gasodutos, com expansão de 20% da rede atual. A ampliação da malha contribuirá para o desenvolvimento de indústrias que utilizam o gás natural como insumo (petroquímica, fertilizantes, metanol, cerâmica, vidro e outras), de acordo com José Mauro Coelho, diretor de Estudos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE.

O gasoduto previsto que demandará maior investimento é o Brasil Central, que ligará São Carlos (SP) a Brasília, com aporte estimado de R$ 7,1 bilhões. Outros projetos identificados são a implantação do segundo gasoduto Porto Alegre-Uruguaiana e a duplicação do Gasbol, entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A Rio Pipeline também tratou da capacitação profissional no fórum “Formação e Competência para Pipeline 4.0 – Como preencher o GAP de profissionais?”, que reuniu especialistas em transformação digital. Entre as recomendações, está “virar a chave” para desenvolver a multidisciplinaridade e a capacidade de adaptação às mudanças tecnológicas. “A aplicação de ciência de dados, blockchain, inteligência artificial, realidade aumentada afetam profissionais de diversos setores, inclusive do segmento de dutos”, disse Gustavo Robichez, coordenador do núcleo multidisciplinar focado em inovação da PUC-Rio.

Tassio Simioni, gerente de negócios de energia da Radix, disse que as empresas também têm de inovar no processo de recrutamento para atrair talentos com essas habilidades. A Radix promoveu um Hackathon para selecionar colaboradores, com foco na geração e distribuição de energia, que ajudou a ampliar seus conhecimentos nessas áreas.

 


Fonte: O Petróleo