Clipping

Impacto financeiro da seca será menor para hidrelétricas em 2017, diz Moody´s

As geradoras de energia elétrica do país terão perdas menores em caso de seca em 2017, em comparação com anos anteriores, avalia a Moody´s.

A agência de classificação de risco considera que essas companhias vão se beneficiar de uma lei publicada em 2015, que permite que os riscos de prejuízo por conta da estiagem sejam compartilhados com os consumidores (por meio das bandeiras tarifárias na conta de energia), mediante o pagamento de um seguro.

"Embora uma potencial seca não deixe de ser negativa para as empresas de geração hidroelétricas brasileiras, o impacto provavelmente será menor que o registrado em 2014 e 2015", diz Bernardo Costa, um vice-presidente e analista sênior da Moody´s, em relatório.

A agência destaca ainda que as empresas podem reduzir a exposição à seca diversificando sua matriz energética e também por meio de estratégias de comercialização.

Segundo o relatório, os reservatórios de água do país estão entrando na temporada de seca com níveis "significativamente reduzidos", já que choveu menos do que o esperado no começo do ano.

"Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por cerca de 70% da geração hidrelétrica do país, a capacidade dos reservatórios era de 42% em março de 2017 ante 62% em março de 2016. Já na região Nordeste, os níveis dos reservatórios são os mais baixos em quatro anos", diz o texto.

Ainda segundo a Moody´s, as geradoras de energia que têm a maior parte de sua capacidade de geração em fontes hídricas terminaram o ano passado com um índice de cobertura de juros médio de aproximadamente 65% dos níveis registrados de 2013 para 2014.

Isso "demonstra o efeito das secas de 2014 e 2015 sobre os colchões para serviço de dívida das companhias".

A Moody´s indica que essas companhias podem conseguir proteção extra contra a seca em 2017 se se comprometerem a entregar menos em contratos de fornecimento de energia (chamados PPAs) do que a capacidade regulada. Esse "colchão" de energia que sobra pode ser vendida no mercado à vista (spot).


A agência explica que essa estratégia alivia o baque nos fluxos de caixa das geradoras porque as vendas no mercado à vista compensariam o provável aumento das compras de energia nesse mesmo mercado em caso de déficit de geração.

Entre as empresas avaliadas pela Moody´s, Cemig e Rio Paranapanema são as mais expostas à falta de chuvas, dependem muito de fontes hidrelétricas e colchões de PPAs "relativamente reduzidos".

Statkraft Energias Renováveis e CPFL Energias Renováveis são as menos impactadas, já que têm parques de energia eólica.


Mudança na lei

A lei que mudou a regulação do setor, originada pela medida provisória 688, permite que eventuais perdas financeiras das usinas hidrelétricas sejam cobertas pelas bandeiras tarifárias.

Em troca, as empresas geradoras têm de pagar um prêmio de risco, uma espécie de seguro, que seria aportado na conta que faz a gestão dos recursos arrecadados pelas bandeiras.

Fonte: Portal G1