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Importador de combustível restringe negócios por atuação da Petrobras, diz Abicom

Importadores privados de combustíveis no Brasil avaliam que as compras no exterior podem zerar a partir de março diante de uma defasagem entre os preços estabelecidos pela estatal Petrobras e os praticados no mercado internacional, disse nesta quarta-feira à Reuters uma liderança do setor.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, quatro das nove empresas coligadas à entidade já deixaram de realizar negócios, enquanto as outras cinco “estão muito desanimadas”, podendo suspender as compras a partir do próximo mês.

“Os importadores privados estão deixando de fazer suas operações. Quem está fazendo importação para garantir o abastecimento nacional é a própria Petrobras”, afirmou Araújo.

Ao longo de 2018 até o final do terceiro trimestre, segundo dados da Petrobras, a estatal ampliou seu mercado de gasolina e diesel para cerca de 90 por cento, em meio a importações elevadas.

Cálculos da própria Abicom mostram que no acumulado de fevereiro até esta quarta-feira houve alta de 17 por cento no Preço de Paridade de Importação (PPI) da gasolina, ao passo que nas refinarias da Petrobras o aumento foi de 7 por cento —a maior parte ocorrida nos últimos dias.

Em relação ao diesel, o avanço do PPI foi de 0,1465 real por litro, enquanto internamente o incremento alcançou 0,0307 real, segundo a associação.

Estabelecido pela reguladora ANP e importante balizador de precificação doméstica, o PPI considera cotações para cinco polos importadores de combustíveis no Brasil: Itaqui, Suape, Aratu, Santos e Paranaguá. 

As altas observadas no mercado de combustíveis refletem diretamente os ganhos do petróleo, cujas referências internacionais têm se mantido firmes diante de cortes de produção feitos pela Opep e aliados como a Rússia, bem como por problemas de fornecimento na Venezuela, que passa por severa crise.

Entre janeiro e 15 de fevereiro, o preço do Brent subiu cerca de 23 por cento.

“Os preços internacionais subiram muito mais do que os reajustes da Petrobras. A Petrobras está praticando preços abaixo dos internacionais, pelo menos se a gente considerar os polos onde é possível entrar produto importado”, disse Araújo.

Procurada para comentar o assunto, a Petrobras não respondeu de imediato.

A petroleira, entretanto, utiliza mecanismos de hedge para gasolina e diesel, permitindo-lhe manter as cotações desses produtos estáveis nas refinarias por certos períodos em momentos de forte volatilidade.

No caso da gasolina, o sistema está em vigor desde setembro do ano passado, e a empresa pode segurar o valor do produto por até 15 dias se necessário.

Para o diesel, são até sete dias, e o mecanismo está em vigor desde janeiro, logo após o fim da subvenção econômica oferecida pelo governo para a comercialização do óleo, uma medida tomada em meados do ano passado por causa da greve dos caminhoneiros.

 

 
 
 

Fonte: Reuters