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Incertezas com cenário global e o etanol importado limitam altas do biocombustível na usina

Postado em 23 de Agosto de 2019

O mercado físico do etanol está meio atado às incertezas que rondam o petróleo, o câmbio e à definição que se espera do governo quanto à política de taxação do etanol importado. Apesar de quatro semanas de altas, sendo a de 12 a 16 com a variação mais acanhada (0,06%), de acordo com o Cepea/Esalq, e da razoável queda nos prêmios contra o açúcar, o biocombutível ainda não está precificado como poderia estar para a época do ano

O pico da safra no Centro-Sul ficou para trás e a produção declina exponencialmente daqui para frente, afetando os volumes do mix industrial. Sob menor oferta e com as usinas tendo que começar a manobrar visando os estoques mínimos para a entressafra, que já se comenta serão baixos, a elevação poderia estar maior.

Na avaliação da empresa especializada em negociações com etanol, a SCA TRading, a guerra comercial entre Estados Unidos e China, com o capítulo desta sexta (23) quando Xi Jinping autorizou retaliações, lançando mais foco na economia global e impacto quanto à tendência para o petróleo (em queda), além da aversão ao risco impactando câmbio e outros ativos financeiros, tira um pouco de ação das usinas.

A gasolina também ficou um pouco mais competitiva e limita um pouco a correção do etanol na indústria.

Também a deixar os produtores cautelosos, controlando os preços, é quanto à oferta de etanol importado no Brasil. Martinho Ono, CEO da empresa, pensa que também deixa mais lateralizado o mercado.

O governo tem que decidir até 30 de agosto se mantém a taxação de 20% acima dos 600 milhões da cota liberada de impostos, se deixa no ordenamento do Mercosul (20% sobre qualquer volume) ou se liber tudo, como querem os americanos.

Ontem, os prêmios do etanol contra o açúcar estavam, na média verificada pela SCA, em 17% a favor do hidratado. Já esteve em 30% há duas semanas.

A queda reflete naturalmente a alta do etanol na usina, mas poderia, portanto, estar maior o recuo, com o biocombustível já valendo mais.

por Giovanni Lorenzon

 

 


Fonte: Money Times