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Indiana Mahindra renova planos de avanço no Brasil

A Mahindra, multinacional indiana de máquinas e implementos agrícolas, renovou seus planos de crescimento no mercado brasileiro e, para isso, pretende investir cerca de US$ 70 milhões no país até 2021. Foi o que afirmou ao Valor Jak Torreta Jr., diretor geral de operações da companhia no Brasil.
 
Equipamentos da marca começaram a ser vendidas no país em 2007, quando a distribuidora Bramont passou a comercializar os tratores da empresa indiana por aqui. Mas só agora a Mahindra decidiu direcionar ampliar os esforços para tentar elevar significativamente a participação de mercado. Segundo Torreta, após uma tentativa frustrada de crescer no Brasil em 2003 - quando entrou na disputa para a aquisição da Valtra e perdeu a concorrência para americana AGCO -, a indiana decidiu concentrar esforços no mercado americano.
 
"A Mahindra é, hoje, a terceira marca de tratores nos Estados Unidos na faixa até 120 cavalos", disse. Com o mercado americano já consolidado, a empresa - que faturou US$ 13,4 bilhões no segmento agrícola no ano fiscal 2017, encerrado em março deste ano - agora planeja conquistar 10% do mercado brasileiro de tratores de até 100 cavalos até 2021. Para este ano, Torreta acredita que sua participação no segmento chegará a 2%. "Devemos fechar o ano com algo entre 400 e 500 tratores vendidos", previu. Este é o primeiro ano em que os negócios da Mahindra no Brasil são geridas pelo braço da empresa nos Estados Unidos, como acontece com os negócios da fabricante no México e no Canadá.
 
Até novembro do ano passado, as operações brasileiras eram controladas pelo grupo chileno Gildemeister - que, em 2011, adquiriu 70% da brasileira Bramont. "O Brasil ainda representa menos de 1% do faturamento global. Mas estamos reestruturando todo o negócio aqui, revendo o portfólio de produtos", afirmou Torreta.
 
Em 2016, as vendas da Mahindra, ainda por meio da distribuidora Bramount, somaram 54 tratores. Com a nova gestão, a perspectiva é que as vendas alcancem até 500 unidades neste ano, cresçam para 700 unidades em 2018 e cheguem a 1,5 mil em 2019. Para Torreta, a "robustez" dos tratores Mahindra é o maior atrativo para os produtores brasileiro. "Na Índia, assim como no Brasil, os tratores fazem ao redor de 1.300 horas por ano. Na Europa, o uso médio é de 300 horas por ano.
 
A grande vantagem nossa é a durabilidade", disse o executivo. A fábrica de tratores da Mahindra no Brasil, construída em 2013 em Dois Irmãos (RS), tem capacidade para a produzir mil tratores por ano. Como projeta produção de 2 mil unidades por ano já em 2020, a indiana está definindo de que forma se dará esta expansão, a capacidade produtiva. A ideia é ampliar a capacidade para entre 3 mil e 4 mil tratores por ano. "Tenho até o fim do ano para apresentar nossas propostas: podemos tanto construir fábricas como adquirir marcas menores", afirmou Torreta. Os recursos para o avanço no mercado brasileiro deverão vir de empréstimos com bancos públicos, adiantou.
 
De acordo com o executivo, enquanto essa definição não acontecer, a Mahindra continuará com acordos de cooperação com outros fabricantes de implementos. Neste ano, por exemplo, a Mahindra estabeleceu parceria com a Marispan, fabricante de implementos agrícolas de Batatais (SP). "Essa empresa tem uma linha de carregadores frontais que já está sendo fabricada com a marca Mahindra", disse Torreta. Com a estruturação do mercado brasileiro, as exportações para o mercado da América do Sul deverão ser supridas pelo país. "Já neste mês, começaremos a prestar assistência técnica para Uruguai, Peru, Paraguai, Chile, Bolívia", destacou o executivo. De acordo com ele, em janeiro de 2018 a Mahindra Brasil assumirá o gerenciamento da distribuição nesses países vizinhos, mas ainda com o fornecimento de produtos importados de plantas indianas.
 
Por Kauanna Navarro

Fonte: Valor Econômico