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Informações integradas são destaque na Agrishow

Postado em 29 de Abril de 2019

A conectividade embarcada em tratores, colheitadeiras e plantadeiras é artigo comum nos estandes da feira internacional de tecnologia agrícola, a Agrishow, que começa hoje na cidade de Ribeirão Preto (SP). Termos como agricultura de precisão, banda larga, sensores, drones e análise de dados em tempo real entraram de vez para o linguajar do campo.

Neste ano, a grande novidade está no lançamento do banco de dados colaborativo do agricultor (BDCA), iniciativa tocada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A plataforma resolve uma barreira importante para o adensamento da transformação digital: a integração das informações. Francisco Matturro, presidente da Agrishow, explica que os fabricantes investiram em sistemas próprios, criando ilhas de informações. "O produtor precisa agrupar os dados das diferentes máquinas e sensores", comenta. A integração, lembra o executivo, consome recursos em desenvolvimento próprio ou contratação de aplicativos.

Pelas regras do BDCA, é o produtor quem escolhe o que vai compartilhar ou segregar na plataforma. Dessa forma, protege informações estratégicas e, ao mesmo tempo, alimenta uma base comum. "As informações são do produtor. É ele quem decide o que fazer com elas", reforça Matturro. Segundo ele, o interesse pela transformação digital deve ser, novamente, um dos motores da Agrishow. No ano passado, o evento registrou negócios de R$ 2,7 bilhões. Para este ano, a meta é ampliar entre 8% e 10% o volume faturado. "Em um raio de cem quilômetros de Ribeirão Preto, os hotéis estão lotados", anima-se. Quem for ao evento vai ter acesso à arena de inovação – composta por startups do setor, as agritechs – e à exposição de máquinas e sistemas produtivos turbinados por soluções de análise de dados.

A capacidade de transformar dados em informações relevantes para o produtor também será propulsora de parcerias. A Climate – divisão de agricultura digital da Bayer – anuncia, no evento, aliança com a fabricante de equipamentos Stara. O objetivo, diz Mateus Barros, líder da Climate para a América Latina, é permitir o acesso, em tempo real, às informações de produção. Por isso, a empresa busca integração com o maior número possível de fabricantes de equipamentos. "A Stara é uma marca nacional relevante", comenta. Com a parceira, a Stara entra na lista que conta com empresas como Case IH, Massey Ferguson, New Holland, Valtra e John Deere.

Para divulgar a plataforma, a Climate preparou uma maquete em 3D de uma fazenda. A ideia é demonstrar, de forma interativa, como as ferramentas auxiliam o agricultor, gerando relatórios e informações sobre o processo produtivos – do plantio à colheita. "Entre os recursos, estão as imagens de satélite, que ajudam a verificar o desenvolvimento da lavoura", diz Barros.

Pelas regras do BDCA, é o produtor quem escolhe o que vai compartilhar ou proteger na plataforma

A Embrapa também reforçou o cardápio para a Agrishow. Entre as tecnologias, está a de ressonância magnética nuclear (RMN). Desenvolvida nos laboratórios da unidade de instrumentação de São Carlos (SP), a solução analisa a qualidade de grãos como soja e amendoim. Sem destruir a amostra, é possível conhecer o teor de óleo dos grãos. O processo leva apenas alguns segundos. De acordo com a Embrapa, a ressonância ainda permite, no caso do amendoim, verificar dados de umidade, teor de proteína e de substâncias como ômega 9 – óleo fundamental para a síntese de hormônios.

Na área de informática, as novidades estão concentradas em agricultura digital e inteligência artificial. Na Agrishow será possível conhecer sistemas de integração – ou APIs – criados pela Embrapa. Por meio deles, a empresa de pesquisa agropecuária permite acesso a dados e modelos gerados dentro da instituição. Com eles, desenvolvedores de software e aplicativos podem criar soluções para o agronegócio. A plataforma contém desde dados climáticos até informações sobre cultivares.

Na seara da inteligência artificial, a Embrapa separou um conjunto de técnicas que auxiliam o produtor na identificação de sintomas de doenças agrícolas. Os sistemas utilizam técnicas de visão computacional para processar imagens e indicar os riscos. A solução é resultado do trabalho de uma rede de especialistas em fitopatologia da Embrapa, que trabalhou em parceria com o Instituto Biológico, para construir um banco de dados com mais de duas mil imagens, abrangendo culturas como soja, café, feijão, trigo e milho.

Já a startup TCL aposta na sua plataforma de soluções financeiras para angariar clientes na Agrishow. A empresa trabalha com antecipação de recebíveis e incluiu a cédula de produto rural (CPR) em seu portfólio. "O produtor pode utilizar o título para antecipar recebimento de créditos", explica Paula Fernandes Fabeni, fundadora da empresa. Segundo ela, a operação agiliza ao financiamento da safra e permite que o agricultor amplie a produtividade. "Ele pode negociar insumos e plantar em uma época mais propícia porque está com o dinheiro na mão", diz. A solução usa tecnologia de contabilidade distribuída (blockchain) para garantir a confiabilidade.

Por Ediane Tiago

 

 


Fonte: Valor Econômico