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Íntegra, com apoio de sócio da gestora ARC, arremata usina da Renuka em SP

Postado em 16 de Novembro de 2020

O veículo de investimentos Íntegra Special Situations comprou a Usina Revati, da Renuka do Brasil - que está em recuperação judicial -, com um lance de R$ 263,5 milhões em leilão realizado anteontem. A Íntegra, que havia adquirido R$ 1 bilhão em créditos da companhia sucroalcooleira com desconto, converterá R$ 248,5 milhões desses créditos em participação. Os demais R$ 15 milhões serão pagos em dinheiro. A Renuka do Brasil, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, já está em recuperação judicial desde 2015.

O recurso da Íntegra sairá do sócio Sérgio Firmeza Machado, da ARC Capital, uma gestora especializada em ativos em estresse financeiro e que tem também como sócio o empresário Demian Póns Esparo. Machado, ex- Credit Suisse, é filho de Sérgio Machado, que presidiu a Transpetro entre 2003 e 2015. O pagamento ainda poderá contar com apoio de mais dois investidores que estão sendo prospectados pelo diretor da ARC Capital, conforme apurou o Valor.

A Íntegra foi a única a dar lance no leilão da Usina Revati, localizada em Brejo Alegre (SP). A consultoria financeira Alvarez & Marsal havia se habilitado a participar do leilão, mas não apresentou oferta. O juiz da recuperação judicial da Renuka do Brasil, Marcio Antonio de Oliveira, homologou no mesmo dia a proposta.

O veículo de investimentos, que é assessorado por Ricardo Martins Amorim, sócio do CSA Advogados, já estava se preparando para o leilão há meses. Em setembro, a Íntegra comprou R$ 1 bilhão em créditos da Renuka do Brasil detidos pelo Merril Lynch, pelo Itaú e pelo Nassau Branch (pertencente ao Itaú), que se enquadravam como créditos com e sem garantia. Pelas regras do plano de recuperação judicial, o investidor poderia converter até metade de seus créditos em oferta de participação na usina, o que dava potencial para a Íntegra apresentar um lance de até R$ 500 milhões.

O valor da cessão de crédito dos bancos à Íntegra não é público, mas a perspectiva de recuperação dos créditos pelos bancos era muito baixa. A carência era de 25 anos e o pagamento se estenderia por dez anos, com correção pela TR.

A Usina Revati tem capacidade de processar 4,5 milhões de toneladas por safra, mas está sem operar há dois anos. A Íntegra negocia agora com bancos credores da Renuka do Brasil que têm equipamentos da Usina Revati em garantia para poder concluir a transferência da unidade produtiva isolada (UPI) e retomar a operação na unidade. Entre as instituições com garantias na planta estão Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Bradesco e Standard Chartered.

Para a retomada das operações na usina, a Íntegra planeja investir inicialmente mais R$ 150 milhões para garantir a oferta de cana e a manutenção das atividades. Além disso, os investidores acertaram anteontem com a própria Renuka do Brasil que a companhia indiana fornecerá 1,3 milhão de toneladas de cana que forem colhidas na área de influência da usina para a Íntegra até a safra 2023/24.


Fonte: Valor Econômico